GABRIEL O PENSADOR


Álbum:
GABRIEL O PENSADOR
Sony Music, 1993

1. Abalando

Gabriel o Pensador o homem que eles amam odiar
Agora voltou para, Hrm, Hrm, tentar falar
Isso é se ningém quiser me censurar me calar
(Manera rapaz, da última vez eles te tiraram do ar)
Não eu não consegui acreditar nisso
Mas não vâmo esqucer e nem permanecer omissos
Num caso que diz respeito ao direito de um cidadao
De carregar no peito a sua liberdade de expressão
Liberdade de expressão aqui? Ha, não existe
Eu fiz “Hoje eu tô feliz” e fiquei triste
Pois já não posso mais nem sair em paz
Os fdp confundem artistas com marginais
Mas eu não sou um marginal, isso é um grande erro
Sou apenas um artista como todo brasileiro
E o meu erro dizer o que não devia
Acreditei que existia o quê: (Democracia…)
Então eu disse simplesmente o que o povo sente
Mas fui covardemente censurado pelo (“Minha gente!”)
E a vontade que me dá, não me venha perguntar
Eu vou falar. A vontade que me dá é de matar
É uma loucura!
Ninguém cura esse país se num acabarmos com a censura que me lembra a ditadura militar
(Cale-se! Cuidado!)
(Como é dificil acordar calado)
Eles não censuram o povão
Pior do que acordar calado é acordar sem pão
(Paiê cadê o pão?
Foi censurado
Paiê cadê o leite?
Foi censurado
Paiê o quê que é carne hein?)
Essa é a censura na panela de um descamisado
(Paiê cadê o ovo?
Foi censurado
Paiê cadê o arroz?
Foi censurado porra!
Pai tem feijão?
Não, toma essa água suja com farinha e num reclama pra num ser processado)
E a diversão era um futebol inocente
(Quero perder de vez sua cabeça)
“Então eu vi um pessoal nema pelada diferente
Jogando futebol com a cabeça do Presidente”
(Cale-se) O povo unido outra vez foi vencido
Pediu pra ouvir meu rap mas não foi atendido
(Ué mas não existe mais censura no Brasil)
Amigo vai nessa que tu tá é fud…
E foi só uma cabeça que caiu
Nem demos a primeira então não vâmo sair decima ouviu?

Vem! A gente abala quando quer
A gente abala se quiser
Vem! A gente abala quando quer
A gente abala se quiser

Porque o Pensador veio falar do que passou
Eu te digo: Não se lembre do passado e o teu futuro será escuro
Não se esqueça o que passamos há tantos anos
Procure a luz, mete o dedo na ferida viva a vida, limpa o pus
E conduz o pensamento para o tempo que quiser
Fique atento não se esqueça a gente abala quando quer
(Agora que lembramos um passado recente
Vamos falar do presente.
E daqui pra frente?)
Não vamos nos intimidar
Chega de ser prego
É melhor ser o martelo rapá!
Mas também não não pense que o Brasil já foi pra frente
Pois como sempre ele está no mesmo lugar
E sempre estará se você não acordar
Se a gente não se julga inteligente o suficiente pra mudar
Seria melhor se suicidar
Mas na verdade esse momento é de nascimento
(É a hora H) Não vamos nos alienar
Olhe pro seu lado e veja como o povo está
(A arte é de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
E que fé será se não for a fé em nós mesmos pô
(Isso aí Pensador)
“Get up Stand up” Você não veio ao mundo á toa
E se veio fazer algo faça alguma coisa boa
O que tá errado (tudo)
Deve ser mudado
Abalando as estruturas com o Pensador
(Tô ligado!)
Eu tô falando de uma reformulação
Que começa na cabeça e vai passando pelo coração
Se voçê tem cabeça e coração
Não seja um vegetal
Seja um cidadão
(É geração cara pintada?)
Não. Jovens em geral
Caras pretas, coroas, pessoas, malucos e caretas
(Entrem nessa união) Não seja um imbecil meu irmão
Põe a mão na cabeça, pára pra pensar
Nós Temos o poder de abalar…
(Tá na hora, vamô lá!)

2. Tô Feliz (Matei O Presidente)

(Ouçam todos, foi executado o nosso presidente
Estamos aqui com Gabriel O Pensador, principal suspeito do crime)
Suspeito não, culpado, pode falar aí que eu assumo mesmo
(Como aconteceu a tragédia?)
Encontrei ele e a mulher na rua, não resisiti
Peguei um pedaço de pau que tava no chão e aí…
Atirei o pau no rato
Mas o rato não morreu
Dona Rosane, admirou-se
Com o ferrão do treis-oitão que apareceu
(Minha Genteeee…)
Todo mundo bateu palma quando o corpo caiu
Eu acabava de matar o presidente do Brasil
Fácil, um tiro só, bem no olho do safado
Que morreu ali mesmo, todo ensanguentado
Eu saí voando com a polícia atrás de mim
E enquanto eu fugia eu pensava bem assim:
Tinha que ter tirado uma foto quando o sangue espirro
Pra mostrar pros meus filhos que lindo, pô!
Eu tava emocionado mas corri pra valer
E consegui escapar, hã tá pensando o que?
E quando eu chego em casa o que eu vejo na TV?
Primeira dama chorando, perguntando “porque?”
Ah! Dona Rosane, dá um tempo, não enche!
Não fode! Não é de hoje que seu choro não convence
Mas se você quer saber porque eu matei o Fernandinho
Então presta atenção sua puta, escuta direitinho!
Ele ganhou a eleição e se esqueceu do povão
E uma coisa que eu não admito é traição
Prometeu, prometeu, prometeu e não cumpriu
Então eu fuzilei, vá pra puta que pariu!
É podre sobre podre, essa novela, É Macri, é Zélia
É o ser vivo, bicicleta e guarda-chuva, LBA, previdência,
Chega dessa indecência!
Eu apertei o gatilho e agora você é viuva
E não me arrependo nem um pouco do que eu fiz
Tomei uma providência que me fez muito feliz

Hoje eu tô feliz!
Hoje eu tô feliz!
Hoje eu tô feliz!
Matei o presidente

Eu tô feliz demais então fui comemorar
A multidão me viu e começou a festejar
(É pensador, é pensador, é Gabriel O Pensador!
É pensador, é pensador, é Gabriel O Pensador!)
Me carregaram nas costas e a gritaria não parou
Eu disse “Eu sou fugitivo gente, não grita o meu nome por favor!”
Ninguém me escutou e a polícia me encontrou
Tentaram me prender mas o povo não deixou
(O povo unido jamais será vencido!)
Uma festa desse tipo nunca tinha acontecido
Tava bonito demais, alegria e tudo em paz
E ninguém vai bloquiar nosso dinheiro nunca mais
Corinthiano e Palemirense, Flamenguista e Vascaíno
Todos juntos com a bandeira na mão cantando o hino
(Ouviram do Ipiranga às margens plácidas)
De um povo heróico um brado retumbante…
E começou o funeral, e o povo todo na moral
Invadiu o cemitério numa festa emocionante
Entramos no cemitério cantando e dançando
E o presidente tava lá já deitado nos esperando
Todos viram no seu olho a bala do meu treis-oitão
E em coro elogiamos nosso “atleta” no caixão
(Bonita camisa Fernadinho
Bonita camisa Fernadinho
Bonita camisa Fernadinho
Você nessa roupa de madeira tá bonitinho!)
E como sempre lá também tinha um grupo mais exaltado
Então depois de pouco tempo o caixão foi violado
O defunto foi degolado, e o corpo foi queimado
Mas depois não vi mais nada porque eu já tava cercado de mulheres
E aquilo me ocupou
(Ai deixa eu ver ser revolver Pensador!)
Foi quando eu vi um pessoal numa pelada diferente
Jogando futebol com a cabeça do presidente
(Chuta! Gooool!)
E a festa continuou nesse clima sensacional
Foi no Brasil inteiro um verdadeiro carnaval
Teve um turista que estranhou tanta alegria e emplogação
Chegando no Brasil me pediu informação
(O Brasil foi campeão, tá todo mundo contente?)
Não amigão, é que eu matei o presidente!

Refrão

O velório vai ser chique sem falta eu tô lá!
(Verdade?)
É ouvi dizer que o PC quem vai pagar

3. Lôrabúrra

Existem mulheres que sao uma beleza , mas quando abrem a boca , hum, que tristeza, Nao e o seu halito que apodrece o ar , o problema e o que elas falam que nao da pra aguentar. Nada na cabeca, personalidade fraca, tem a feminilidade e a sensualidade de uma vaca. Produzidas com roupinhas da estacao, que viram no anuncio da televisao. Milhoes de pessoas transitam pelas ruas , mas conhecemos facilmente esse tipo de perua, bundinha empinada pra mostrar que e bonita e a cabeca parafinada pra ficar igual paquita.
Lôrabúrra , Lôrabúrra , Lôrabúrra , Lôrabúrra.
Elas estao em toda parte desse Rio de Janeiro e as vezes me interrogo se elas estao no mundo inteiro, a procura de carro, a procura de dinheiro, o lugar dessas cadelas era mesmo num putero. Quando so se preocupam em chamar a atencao, nao pelas ideias, mas pelo burrao, nao pensam em nada, so querem badalar, esta na moda tirar onda, beber e fumar. Cadelinhas de boate ou ratinhas de praia, apenas os otarios aturam a sua laia e enquanto o playboy te da dinheiro e atencao, eu so saio com voce se for pra ser o Ricardao.
Lôrabúrra , Lôrabúrra , Lôrabúrra , Lôrabúrra.
Nao eu nao sou machista, exigente talvez, mas eu quero mulheres inteligentes, nao voces ! Voces sao o mais puro retrato da falsidade, desculpa amor mas eu prefiro mulher de verdade . . . Ai ! Voce e mediocre e ainda sim orgulhosa, Lôrabúrra, e mole, nao esta com nada e esta prosa. O seu jeito forcado de falar e deprimente, ja entendi seu problema, voce esta muito carente. Mas eu so vou te usar, voce nao e nada pra mim. ( . . . ) Pra que dar atencao a quem nao sabe conversar, pra falar sobre o tempo ou sobre como estava o mar. Nao, eu prefiro dormir , sai daqui, Ham ! Eu ja fui bem claro, mas vou repetir, e pra voce me entender, vou ser ate mais direto : Lôrabúrra, voce nao passa de mulher objeto.
Lôrabúrra , Lôrabúrra , Lôrabúrra , Lôrabúrra.
Capas da moda, voces sao todas iguais, cabelos, sorrisos e gestos artificiais, ideias banais, e como dizem os racionais : Mulheres vulgares, uma noite e nada mais. Lôrabúrra, voce e vulgar sim, seus valores sao deturpados, voce e leviana. Ham ! Pensa que esta com tudo, mas se engana sua fragil cabecinha de porcelana. A sua filosofia e ser bonita e gostosa, fora disso e uma cebosa, tapada e preconceituosa, Seus lindos peitos nao merecem respeito, marionetes alienadas, voces nao tem jeito. Eu nao sou agressivo, contundente talvez, o Pensador da valor as mulheres, mas nao voces, voces sao o mais puro retrato da falsidade, desculpe amor mas eu prefiro mulher de verdade
Lôrabúrra , Lôrabúrra , Lôrabúrra , Lôrabúrra.
E, nao se esqueca que o problema nao esta no cabelo, esta na cabeca, Nem todas sao socias da farmacia. Tem muita Lôrabúrra de cabelo preto e castanho por ai. E, Lôrabúrra morena, ruiva, preta, Lôrabúrra careca. Tem a Lôrabúrra natural tambem, cada Lôrabúrra e de um jeito, mas todas sao iguais. Voce esta me entendendo. Preste atencao : Eu gosto e de mulher !
Lôrabúrra , Lôrabúrra , Lôrabúrra , Lôrabúrra.

Gabriel, O Pensador

4. Indecência Militar

Na porta do local do alistamento militar
Esperando pela hora de entrar
de saco cheio, estava eu lá (que paciência!)
Sem nenhuma mulher pra agarrrar e nem um som pra escutar
E um monte de marmanjos do meu lado eu vi
Então pensei “Pô o que que eu tô fazendo aqui?”
Pergunta sem resposta, e raiva batendo
Foi assim que eu fiz um rap pra passar o tempo

Serviço militar obrigatório é uma indecencia
Um ano sem mulher batendo continencia
Escravidão numa democracia
É uma incoerência
Um ano sem mulher batendo continencia
Serviço militar obrigatório é uma indecencia
Um ano sem mulher batendo continencia

Um ano sem mulher só ralando
E o salário?
Não leve a mal mas isso é coisa pra otário
Alguns podem até gostar da brincadeira
Mas o serviço só é bom pra quem quer seguir carreira militar
Mas rapá, pro Pensador não dá!
Servindo o exército, marinha, aeronáutica ou qualquer porra dessas
Não interessa eu ia ser um infeliz
Ia ficar revoltado como eu nunca quis
Servindo quem montou a ditadura aqui no meu país
Usando farda e lavando o chão
Sem reclama de nada pra não ser jogado na prisão
Hum mas que situação! Então
Batendo continencia e fazendo flexão
Para os caras que prenderam meu pai
E mataram tantos outros institucionalizando a repressão
Não! Agora acorda e concorda com esse refrão!
E porque não?

Nas mãos dos militares muito jovem já morreu
Não quero ser soldado! Quem manda em mim sou eu!
Esse é o defeito da nossa sociedade
Um ano da minha vida não pode ser gasto assim
Escravizado por quem nunca fez nada de bom por mim
Essa contradição me repudia
Serviço obrigatório não combina com democracia
A porta abre e todos entram
Tô torcendo pra sobrar enquanto isso dá vontade de cantar

Olha aí rapaz, como você fala das nossas instituições democráticas!
Instituições o que?
Ih! Eu acho que eu tô doidão, eu ouvi “democráticas”!
Ah tá…

5. Lavagem Cerebral

Racismo preconceito e discriminação em geral É uma burrice coletiva sem explicação Afinal que justificativa você me dá para um povo que precisa de união Mas demonstra claramente Infelizmente Preconceitos mil De naturezas diferentes Mostrando que essa gente Essa gente do Brasil é muito burra E não enxerga um palmo a sua frente Porque se fosse inteligente esse povo já teria agido de forma mais consciente Eliminando da mente todo o preconceito E não agindo com a burrice estampada no peito A “elite” que devia dar um bom exemplo É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento Num complexo de superioridade infantil Ou justificando um sistema de relação servil E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação Não tem a união e não vê a solução da questão Que por incrível que pareça está em nossas mãos Só precisamos de uma reformulação geral Uma espécie de lavagem cerebral. Não seja um imbecil Não seja um Paulo Francis Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante O quê que importa se ele é nordestino e você não? O quê que importa se ele é preto e você é branco? Aliás branco no Brasil é difícil porque no Brasil somos todos mestiços Se você discorda então olhe pra trás Olhe a nossa história Os nossos ancestrais O Brasil colonial não era igual a Portugal A raiz do meu país era multi racial Tinha Índio Branco Amarelo Preto nascemos da mistura então porque o preconceito? Barrigas cresceram o tempo passou… Nasceram os brasileiros cada um com a sua cor Uns com a pele clara outros mais escura Mas todos viemos da mesma mistura Então preste atenção nessa sua babaquice Pois como eu já disse Racismo é burrice Dê a ignorância um ponto final: Faça uma lavagem cerebral
Negro e nordestino constróem seu chão Trabalhador da construção civil conhecido como peão No Brasil o mesmo negro que constrói o seu apartamento ou que lava o chão de uma delegacia É revistado e humilhado por um guarda nojento que ainda recebe o salário e o pão de cada dia graças ao negro ao nordestino e a todos nós Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói O preconceito é uma coisa sem sentido Tire a burrice do peito e me dê ouvidos Me responda se você discriminaria Um sujeito com a cara do PC Farias Não você não faria isso não … Você aprendeu que o preto é ladrão Muitos negros roubam mas muitos são roubados E cuidado com esse branco aí parado do seu lado Porque se ele passa fome Sabe como é: Ele rouba e mata um homem seja você ou seja o Pelé Você e o Pelé morreriam igual Então que morra o preconceito e viva a união racial Quero ver nessa musica você aprender e fazer a lavagem cerebral
O racismo é burrice mas o mais burro não é o racista é o que pensa que o racismo não existe O pior cego é o que não quer vê E o racismo está dentro de você Porque o racista na verdade é um tremendo babaca Que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca E desde sempre não para pra pensar Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar E de pai pra filho o racismo passa Em forma de piadas que teriam bem mais graça Se não fossem o retrato da nossa ignorância Transmitindo a discriminação desde a infância E o que as crianças aprendem brincando É nada mais nada menos do que a estupidez se propagando Qualquer tipo de racismo não se justifica Ninguém explica Precisamos da lavagem cerebral pra acabar com esse lixo que é uma herança cultural Todo mundo é racista mas não sabe a razão Então eu digo meu irmão Seja do povão ou da “elite” Não participe Pois como eu já disse Racismo é burrice Como eu já disse Racismo é burrice Como eu já disse Racismo é burrice Como eu já disse Racismo é burrice E se você é mais um burro Não me leve a mal É hora de fazer uma lavagem cerebral Mas isso é compromisso seu Eu nem vou me meter Quem vai lavar a sua mente não sou eu É você.

6. …E você?

Brasileiro é o que eu sou
Rapper brasileiro
Mas eu sou um brasileiro antes de ser rapper ou pagodeiro ou os dois ou nenhum
Posso assimilar a cultura do mundo inteiro
Mas sei que nasci no Rio de Janeiro – Brasil
Então não seja imbecil de pensar que eu não poderia cantar assim ou assado
Porque eu vou me expressar na forma e na hora que eu escolher
Aqui ou em qualquer lugar
Valorizando sempre as nossas
Raízes Costumes Cultura musical em geral
Então escuta o que eu digo pro americanizado débil mental
(Você é um burro e não vê a excelente cultura e os costumes do seu próprio país
E abre as pernas pro que os outros lhe impõe
Sem camisinha ou vaselina como o Tio Sam sempre quis)
Mas também não adianta o xenofobismo radical
Eu vou jogáforanolixo o que é ruim e usar o que é bom da cultura mundial
Vou ler assistir escutar e cantar
E nem por isso deixando de lado a produção cultural aqui do meu lugar
E no fundo no fundo todos os homens vieram da África
Principalmente alguns povos como por exemplo o nascido e formado aqui nessa pátria
E não (se) esqueça que cada cultura se forma de uma certa forma e cada sociedade cultiva suas normas mas junto nós todos formamos a Humanidade que engloba todos os seres humanos
Que podem se destacar dos outros animais pela sua capacidade de pensar
Capacidade que muitas vezes não é utilizada
E sendo assim não serve pra nada
Mas eu penso logo existo
Existo logo penso e tento utilizar essa capacidade de raciocinar a todo momento
Posso pensar na forma de Rap Livro Pintura ou Baião
Posso pensar certo mas também tenho o direito de errar
Vacilão
Mas eu tento enxergar tudo e se eu não enxergasse amigo eu usava óculos
Sou mais um inconformado sem partido feito a Denise Stoklos
E eu falo pra todos aquelesque querem me ouvir e vão concordar ou discordar
Talvez acordar
Talvez me seguir ou talvez me vaiar (mas eu vou defecar)
E eu falo pros meus conterrâneos mas posso falar pro estrangeiro
Mas “eu sou apenas um rapaz latino-americano”
Então em primeiro lugar o que eu falo é pros brasileiros
Inclusive pras “Lôrabúrras” pros playboys pros militares e pros crentes
Pra todos os fdp carentes que sofrem com a dominação cultural
Seja com a doutrinação social militar religiosa ou de origem internacional
Humanamente também tô do lado desses coitados que tão no caminho errado e por isso merecem e precisam ser esculachados
O brasileiro precisa fazer uma lavagem cerebral
Aproveitando o que vem lá de fora mas sem esquecer o nosso valor nacional
Cultural natural e da nossa história
É triste me olhar no espelho e saber que pertenço a um povo sem memória
E por culpa da gente é que nada muda no país
A miséria é permanente desde que os primeiros portugueses chegaram aqui
As deficiências dessa sociedade tão aqui desde cedo:
Fome Corrupção Desigualdade Povo covarde Desemprego…
Antigamente o sistema escravista não dava espaço ao trabalho livre
Hoje os problemas são outros
O espaço ainda é pouco e a superpopulação que o diga
E mesmo hoje em dia é bom que se lembre:
Os que trabalham não são homens livres e continuam escravizados como sempre
-Escravos- é isso o que somos
Escravos da própria falta de atitude
Alguns se iludem ficam esperando que alguma coisa mude…
Os mais afetados esquecem onde tão e aplaudem tudo o que for importado
Espero que tenha ficado bem claro de que lado eu tô
Apesar de ser um terráqueo
Gabriel O Pensador nunca vai se esquecer o pedaço do planeta de onde ele saiu:
Esse pedaço bonito cansado sofrido e explorado chamado Brasil
Então se você só dá atenção para o que vem de fora não me dê atenção
Me jogue fora
(Tchau! Vou embora)(Vai!)(Não! Fica aí)
Eu fico pra alegria e satisfação parcial da nação
Trazendo uma nova linguagem uma nova forma de comunicação que muitos brasileiros ainda não conheciam: O Hip Hop
Que não tinha Ibope porque muitos não entendiam
Mas hoje ele é universal e até no Japão ele é assimilado
E pra quem achava uma droga depois dessa dose cuidado pra não se tornar viciado porque eu aplico Hip Hop
Na veia Na mente Na frente Nas costas No peito
E não me esqueço que sou brasileiro então eu fabrico Hip Hop do meu jeito
Do nosso jeito
Desse jeito que você nunca conheceu
Com brasileiros tocando instrumentos ou mais Be Sample que a Fernanda Abreu (Rio 40′)
É somente a capital cultural do território nacional que é o purgatório da beleza e do caos no verão ou no inverno
Purgatório que pra muitos é bem pior que o inferno
E ao mesmo tempo é o céu pra outros poucos sortudos
Brasileiros surdo-mudos que apesar de tudo estar sorrindo para eles continuam negando e cuspindo naqueles que tão pedindo e sentindo “o gosto amargo desse nosso egoísmo que destrói os nossos corações”
Será só imaginação?
Não Não Acho que não
E se você não quer realidade então vai ver televisão
Mas eu tô na vida real e não quero fugir dessa realidade
E eu acho que até passava mal se me olhasse no espelho e enxergasse um covarde
Então eu vou continuar o idealismo que parece arte
E se precisar mudo até de nome feito o Chico Buarque
E “apesar de você” não se mexer
Não sei porquê sua anta
Me escuta
De que adianta ser filho da Santa?
Melhor seria ser filho da luta
Seria bom se tudo fosse um sonho e quando eu acordasse estivesse tudo lindo e pronto
Mas isso nós não merecemos porque só vivemos dormindo no ponto
Então eu tento ficar acordado até na cama quando eu tô dormindo
E também não sou de nenhuma tribo urbana porque eu não sou totalmente índio
Eu tenho um pouco de índio no sangue mas não no sangue inteiro
Eu tenho um pouco de tudo no sangue porque eu sou brasileiro
Mas o que eu definitivamente não tenho no sangue é vergonha de ser o que eu sou
E não sei porque os brasileiros não têm auto-estima e não se dão valor
Mas eu me valorizo
Minha cabeça
Minhas idéias
Meus amigos
Minha liberdade de pensamento
Minha terra
O chão onde eu piso
Meu estilo
Minha cultura
Os costumes e o povo de onde eu vivo
Entre tantas outras coisas que eu valorizo e que depois você vai entender
E você amigo? Valoriza o quê?

7. Retrato de um Playboy

Sou playboy e vivo na farra Vou à praia todo dia e sou cheio de marra Eu só ando com a galera e nela eu me garanto Só que quando estou sozinho eu só ando pelos cantos Porque eu luto jiu-jitsu, mas é só por diversão É isso aí meu compadre, my brother, meu irmão) Se alguma coisa está na moda, então eu faço também Igualzinho a mim, eu conheço mais de cem Se eu faço tudo o que eles fazem, então tudo bem Não quero estudo, nem trabalho não vem que não tem porque eu sou – o que ? – Um play, um playboyzinho, de isso eu não me envergonho, não sei o que é a vida não penso, não sonho Praia, surf e chopp essa é a minha realidade, não saio disso porque me falta personalidade, não tenho cérebro, apenas me enquadro no sistema, ser tapado é minha sina , ser playboy é o meu problema Faço só o que os outros fazem e acho isso legal, arrumo brigas com a galera e acho sensacional Me olho no espelho e me acho o tal, mas não percebo que no fundo eu sou um débil mental
Porque eu sou playboy, filhinho de papai, me afundo nessa bos ta até não poder mais
Sou playboy, filhinho de papai, sou um débil mental, somos todos iguais
Com a cabeca raspada ou cheia de parafina tiro onda porque acho que sou gente fina, mas na verdade, pertenço a pior raça que existe eu sou playboy, penso que sou feliz, mas sou triste Eu sou pior que uma praga, eu sou pior que uma peste Estou em qualquer lugar da superfície terrestre, e digo aonde a playboyzada prolifera-se a mil : Em num país capitalista pobre como o Brasil Onde não somos patriotas nem nacionalsitas Gosto das cores dos states com as estrelas e as listras E o que eu sinto pelo país é o que eu sinto pelo povo Olha só que legal ,quando eu pego um ovo e entro no carro com uns amigos e levo o ovo na mão -Olha o ponto de ônibus, freia aí meu irmão ! Eu taco o ovo bem na cara de um trabalhador que esperava o seu ônibus que passou e não parou Que maneiro, eu não ligo pra quem está sofrendo Em vez de eu dar uma carona, deixo o cara fedendo Que legal, se o mendigo me pede um cigarro É apenas um motivo pra tirar mais um sarro Sacanear o mendigo é a maior diversão Não tem problema quantos dias ele não come um pão E por falar em pão que eu como todo dia, me lembrei da empregada que se chama Maria Ela me dá comida, me dá roupa lavada, mas quando eu estou presente ela é sempre humilhada Você precisa ver como eu trato a coitada, eu a rebaixo, a esculacho, fico dando risada
Porque eu sou playboy, filhinho de papai, me afundo nessa bosta até não poder mais
Sou playboy, filhinho de papai, sou um débil mental, somos todos iguais
Eu não sei nada dessa vida e desse mundo onde estou, E quando eu saio na rua que eu vejo o merda que eu sou Sem ter o que fazer, sem ter o que pensar, eu encho a cara de bebida até vomitar E os meus falsos amigos que vão lá me carregar são os mesmos que depois só vão me sacanear Mas na cabeca da galera também não tem nada, somos um monte de merda dentro da mesma privada É até engracado , eu não decido nada pela moda eu sou guiado Adoro reggae, mas não sei o que Bob Marley diz e se eu soubesse talvez não fosse tão infeliz Mas eu sou um otário, a minha vida não presta, inteligencia? Não tenho, a burrice é o que me resta Então agora dá licensa que eu vou parar Minha cabeca tá doendo eu vou descansar Este lugar já está fedendo. Quem mandou eu pensar ?
Porque eu sou playboy, filhinho de papai, me afundo nessa bosta até não poder mais
Sou playboy, filhinho de papai, sou um débil mental, somos todos iguais
Esse é o retrato da nossa juventude Seja o playboy da maconha ou o playboy da saúde Se cuidarnos assim do futuro do Brasil vamos levar este país para a puta que o pariu !

8. 175 Nada Especial

Mais um dia mais um ônibus que eu peguei no rio Um ônibus tranquilo Estava vazio e a cidade engarrafada como não podia deixar de ser Viagem demorada O que fazer? Sem nenhuma mulher por perto pra bater um papo esperto Resolvi escrever um rap a mais Mas não estou bem certo sobre o que eu vou rimar – Diz aí torcador – (Ah sei lá) Então eu vou no instinto pego um papel e vâmo vê o quê que dá Foi nesse instante em que eu olhei pela janela E que susto eu levei Era ela A inflação estampada na vitrine Atingiu meu coração E deu vontade de partir pro crime Porque o que eu quero comprar já não dá mais A não ser que eu faça como fez o Ferrabrás (Quem?) Então eu tento esquecer Continuar a rimar Mas o que eu vejo do outro lado é duro de acreditar Mas é real E a realidade dói demais São dois mendigos se matando pelos restos mortais De um cachorro qualquer que foi atropelado E vai virar rango e se der Talvez seja assado (Hmm esses nojentos gostam disso?) – Não arrombado Aquilo é um ser humano que chamaram de descamisado – Um desesperado Um brasileiro como eu Que deve sempre perguntar (Será que existe mesmo Deus?) Não é o pensador que vai tentar responder Eu continuo rimando tentando esquecer Porque
Esse rap não é sobre nada especial É o rap do 175 que eu peguei na central
E de repente o ônibus começou a encher Entrou mais gente Houve um tumulto Alguém gritou e eu olhei pra ver (Quê que é isso? Quê que tá pegando? Quê que tá havendo?)(É um assalto malandro! Será que você ainda não tá percebendo?) O desespero do trabalhador começou E eu também tentava esconder meu dinheiro quando alguém falou (Libera esse aí que é o Pensador mané!) Mas eles eram meus fãs Então levaram meu boné (Autografado né Pensador se liga!) Alguns acharam que eu era cúmplice Quase deu briga Mas a viagem prosseguiu e os ladrões desceram E aí a raiva que subiu na cabeça dos passageiros E o mais injuriado era um bigodudo Que tinha ganhado o salário e (Eles levaram tudo) Entraram dois PMs pela porta da frente estufando o peito e olhando pra gente Impondo respeito Mas os ladrões já tavam longe Num tinha mais jeito Pra priorar levaram o bigodudo como suspeito – Ele era preto – Coisas desse tipo é difícil esquecer Mas eu vou continuar porque eu já disse a você que
Esse rap não é sobre nada especial É o rap do 175 que eu peguei na central
Agora estamos passando pela praia de Copacabana Travestis e prostitutas se acabando por grana E os gringos vão achando aqulo tudo bacana (O Brasil é um paraíso! As mulheres são boas de cama) Ô gringo não força Deixa de ser imbecil Você que vem lá de fora quer entender do Brasil (Ha …”O Brasil é um paraíso! – É mole? – E o inferno é onde?!) – (Peraí Pensador) E por falar em paraíso Olha que loucura Subiu no coletivo uma estranhíssima figura Com uma bíblia na mão e uma cara de débil mental Pregando a enganação da Igreja Universal (Ou será que era alguma outra igreja dessas? Ah num faz mal Igreja de enganar otário é tudo igual) E o coitado foi soltando aquele papo de crente E u rezando: Deus me dê paciência! Mas o pentelho desceu pra alegria da gente E na saída do ônibus Sofreu um acidente Se distraiu e foi atropelado pelo caminhão Morreu esmagado com a bíblia na mão (É morreu? Melhor do que viver nessa ilusão Num queria Deus? Foi pro céu Então) – (Num sei não) Enquanto todos se benziam com pena do crente Eu fui rimando Bola pra frente porque
Esse rap não é sobre nada especial É o rap do 175 que eu peguei na central E eu percebi que o trocador ficou fazendo carta Prum coroa que passou por debaixo da roleta Era um senhor de óculos, barba branca … Ei Peraí (Ei professor O quê que o senhor tá fazendo aqui? Quê que houve? Foi assaltado? Perdeu o dinheiro?) – (Não … É … sabeoquêqueé … Eu já gastei o salário inteiro) Hm Hm mudei de assunto ele já tava encabulado No meio do mês o salário dele já tinha acabado Era o meu ex-professor da escola (Coitado) Tá fudido e mal pago Daqui a pouco tá pedindo esmola Ele é um mestre Um baú de sabedoria Esse num é o valor que um professor merecia Profissional de primeira importância pro nosso futuro Ninguém mais quer ser professor pra num viver duro E ele desceu em outra escola pra dar mais aula (É que eu trabalho nos três turnos Chego em casa e ainda corrijo prova) – Tchau professor – (Tchau Pensador) Desceu mais um trabalhador que tá numa de horror Mas
Esse rap não é sobre nada especial É o rap do 175 que eu peguei na central
E nós agora estamos passando pelo bairro de São Conrado E como o tempo tá fechando eu tô ficando preocupado Ih! Choveu! Pronto tudo alagado Uns vão nadando Outros morrendo afogados E enquanto na favela tem barraco caindo Não é que passa o Prefeito sorrindo E se o nosso ex-presidente estivesse aqui Ele estaria certamente num belíssimo jet-ski Mas como nós não temos embarcação pra todo mundo Essa triste situação tá parecendo o Fim do mundo Pra quem tá de carro Pra quem tá de ônibus Nessa Rio-Babilônia No Brasil do abandono E enquanto os governantes vão boiando sorridentes Vâmo remando Bola pra frente porque
Esse rap não é sobre nada especial É o rap do 175 que eu peguei na central
E o pior de tudo é que nessa grande viagem Nada disso do que aconteceu foi novidade E as autoridades estão defecando Pro que acontece ao cidadão brasileiro no seu cotidiano Porque pra eles isso não é nada especial No dos outros é refresco Num faz mal E fecham os olhos pro que até cego já viu: O revoltante retrato da vida urbana no Brasil! E eu não me refiro ao 175 ou qualquer linha da central Eu tô falando do dia a dia a qualquer hora em qualquer local Porque esse rap não é sobre nada especial…

9. Esperanduquê

Eu nada posso esperar de uma raça que só tem filha da puta
Se espalha por todo lugar mas tem mais em Brasília
Escuta
No Brasil já teve guerrilha
Com armas, com tudo
Mas hoje só temos um bando de cego, surdo, burro e mudo
Ninguém faz nada
Nem os governantes nem a massa dominada
O povo é ignorante e o governo é uma piada
E se você não é um ignorante muito bem!
Então pelo amor de Deus venha se expressar também
A voz do povo é a voz de Deus
Quem disse isso não fui eu
Mas eu acho que quem escreveu essa frase era ateu
Porque esse povo tá sem voz, o povo tá calado
Tá parado esperando Deus, batendo palma pro diabo
E enquanto o diabo-rato-porco vai se perpetuando
O povo fica parado debaixo
De quatro
Bobo olhando
Deitado de bruços
Esse é o povo brasileiro
Bobo escutando
Bobo escutando
É você
Bobo esperando
Bobo esperando…
Esperando…
Esperanduquê?

10. Resto do Mundo

Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
O meu sonho é morar numa favela
Eu me chamo de cheroso como alguém me chamou
Mas pode me chamar do que quiser seu doutor
Eu não tenho nome
Eu não tenho identidade
Eu não tenho nem certeza se eu sou gente de verdade
Eu não tenho nada, mas gostaria de ter
Aproveita seu doutor e dá um trocado pra eu comer…
(Que trocado o que?
Não tem vergonha nessa cara suja não?
Vai trabalhar ô vagabundo!)
Eu gostaria de ter um pingo de orgulho
Mas isso é impossivel para quem como o entulho
Misturado com os ratos e as baratas
E com o papel higiênico usado, nas latas de lixo
Eu vivo como um bicho, ou pior que isso

Eu sou o resto
O resto do mundo
Eu sou mendigo, um indigente, um indigesto, um vagabundo
Eu sou… Eu não sou ninguém!

Eu tô com fome
Tenho que me alimentar
Eu posso não ter fome mas o estômago tá lá
Por isso eu tenho que ser cara-de-pau
Ou eu peço dinheiro ou fico aqui passando mal
Tenho que me rebaixar a esse ponto porque a necessidade é maior do que a moral
Eu sou sujo, eu sou feio, eu sou anti-social
Eu não posso aparecer na foto do cartão postal
Porque pro rico e pro turista eu sou poluição
Sei que sou um brasileiro mas eu não sou cidadão
Eu não tenho dignidade ou um teto pra morar
E o meu banheiro é a rua, e sem papel pra me limpar
Honra?
Não tenho
Eu já nasci sem ela
E o meu sonho é morar numa favela
Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
O meu sonho é morar numa favela
A minha vida é um pesadelo e não consigo acordar
Eu não tenho perspectivas de sair do lugar
A minha sina é suportar viver abaixo do chão
E ser um resto solitário esquecido na multidão

Eu sou o resto
O resto do mundo
Eu sou mendigo, um indigente, um indigesto, um vagabundo
Eu sou o resto do mundo
Eu não sou ninguém!
Eu não sou nada, eu não sou gente
Eu sou o resto do mundo
u sou mendigo, um indigente, um indigesto, um vagabundo
Eu sou o resto
Eu não sou ninguém!

Frustração, é o resumo do meu ser
Eu sou filho da miséria e o meu castigo é viver
Eu vejo gente nascendo com a vida ganha e eu não tenho uma chance
Deus me diga porquê?
Eu sei que a maioria do Brasil é pobre
Mas eu não chego a ser pobre, eu sou podre!
Um fracassado, mas não fui eu que fracassei
Porque eu não pude tentar, então que culpa eu terei?
Quando eu me revoltar, queimar, quebrar, matar
Não tenho nada a perder, meu dia vai chegar
Será que vai chagar?
Mas por enquanto

Eu sou o resto
O resto do mundo
Eu sou mendigo, um indigente, um indigesto, um vagabundo
Eu sou o resto do mundo
Eu não sou ninguém!
Eu não sou nada, eu não sou gente
Eu sou o resto do mundo
u sou mendigo, um indigente, um indigesto, um vagabundo
Eu sou o resto
Eu não sou ninguém!

Eu não sou registrado
Eu não sou batizado
Eu não sou civilizado
Eu não sou filho do Senhor
Eu não sou computado
Eu não sou consultado
Eu não sou vacinado
Contribuinte eu não sou
Eu não comemorado
Eu não considerado
Eu não sou empregado
Eu não sou consumidor
Eu não sou amado
Eu não sou respeitado
Eu não sou perdoado
E também sou pecador
Eu não sou representado por ninguém
Eu não sou apresentado pra ninguém
Eu não sou convidado de ninguém
Eu não posso ser visitado por ninguém
Além da minha triste sobrevivência
Eu tento entender a razão da minha existência
Porque que eu nasci?
Porque tô aqui?
um penetra no inferno sem lugar pra fugir
Vivo na solidão mas não tenho privacidade
Eu não conheço a sensação de ter um lar de verdade
Eu sei que eu não tenho ninguém pra dividir o barraco comigo
Mas eu queria morar numa favela, amigo
Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
O meu sonho é morar numa favela

Gabriel O Pensador (1993)
01. Abalando02. Tô Feliz (Matei o Presidente)03. Lôrabúrra04. Indecência Militar05. Lavagem Cerebral06. …E Você?07. Retrato de Um Plaboy (Juventude Perdida)08. 175 Nada Especial09. Esperanduquê10. O Resto do Mundo