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VOLTAR PARA TODAS AS LETRAS Álbum: " NÁDEGAS A DECLARAR " Sony Music, 1999 1. Cantão A galera lá do morro tá sabendo Hoje vai ter festa na casa do Pequeno Aquke molequinho que tá sempre no Cantão Neguinho tá dizendo que ele mora na maior mansão É, a galera sempre aumenta Mas a cachanga é de responsa, no 550 Tem deck, piscina, quem vê não imagina Que o Pequeno mora lá "É, o cara é gente fina" Ele desce todo dia a pé pro Cantão Junto com um pretinho que se chama Janjão Às vezes com o Nem, às vezes com o Baya Às vezes sem ninguém mas tá sempre lá na praia Chega sozinho e todo mundo já conhece Chega cedinho e só sai quando escurece Pega o seu cate e vai direto pra favela Pra andar no half-pipe lá da "curva do S" É, nem parece que ele é filho de bacana A aparência às vezes engana Mas a grana, no caso, não faz diferença Muito pelo contrário, a grana é o de menos A galera da favela vai marcar uma presença Hoje tem aniversário na casa do Pequeno Eu sou do Cantão! E lá não tem parada Todo mundo é irmão, todo mundo é camarada Eu sou do Cantão! E lá não tem caô Todo mundo é peão, todo mundo é doutor Eu sou do Cantão! E lá não tem errada Um aperto de mão vale mais que uma mesada Eu sou do Cantão! E lá não tem terror Amizade não tem classe nem cor Ele mora ali de frente pro mar, mané Mas é pertinho do morro, a galera vai a pé Pra entrar no condomínio tem até segurança Mas não barrou ninguém! Vâmo pra festança! Olha quanta coisa bonita! "Pequeno!" "Peraí maluco num grita! "Ele mora ali naquela casa de tá cheia de gente E cheia de carrão estacionado na frente Todo mundo chique, de roupa social E agente assim largado, vai até pegar mal" "É melhor sair fora pra não pagar mico Isso é festa de rico, não é pro nosso bico" "Que isso Chiquinho? Nada a ver! Quando é festa lá no morro o Pequeno é o primeiro a aparecer" "É, se ele vive lá no funk e no pagode Porque no aniversário dele agente não pode?" "É isso aí Almir-Rato O Pequeno convidou, e se agente não entrar vai ficar chato" "Vâmo nessa galera, quem não deve não teme O Tripa sempre vem aí jogar vídeo-game Diz pra ele Negão!" "Eu até ranguei aí outro dia, meu irmão! Não tem erro não" "Demorô!" "Aí, ô o Pequeno aí fora, de bermuda e chinelo" "Chegaí!" "Vambora!" Tá rolando um refri, cachorro e coxinha E tá sobrando um monte de gatinha Refrão E o Pequeno cresceu e nem se lembra dos presentes que ganhou Mas da festa ele nunca se esqueceu A família reunida, os colegas da escola A galera lá do morro e só discão na vitrola Se esqueceu até do beijo da menina Mas se lembra da galera se jogando na piscina As lembranças do tempo de moleque no Cantão Ficaram marcadas na cabeça e no coração Como aquele cara que não tinha as duas pernas E subia num skate se arrastando na favela A força de vontade daquele aleijado Simbolizava a humildade e a batalha do favelado E a coragem que aquela gente tinha e tem São um exemplo de vida que o moleque aprendeu bem: Lutar pra viver, ser mais solidário E nunca vacilar, porque não há lugar pra otário E nem pra malandro demais A malandragem é saber sobreviver em paz Saber a hora de falar e a hora de ficar calado E respeitar pra ser respeitado E se os ricos pensam que o convívio dos seus filhos com os pobres atrapalha a educação O Pequeno aprendeu o que nenhuma escola pode ensinar convivendo com a galera do Cantão Ele viu que a riquesa na verdade é viver com humildade e vencer o preconceito E ganhou o que nenhum dinheiro pode comprar: A amizade que até hoje guarda dentro do peito E a galera até hoje se reúne lá no canto Uns todo dia, outros nem tanto Alô Gebara, Vaguinho, Pamonha e Passarinho Bonito, Creck, Bila, Boc, Xêra e Maluquinho Tim Dorê, Pinel, Suruba e Gargamel O Night entrou pro bicho e foi mais cedo pro céu Abobrinha se mudou pra Fortaleza O Déo já é papai e é fiscal da natureza, beleza O Janjão virou piloto de asa e, quem diria O Nenô virou crente e vai à igreja todo dia! Almir-Rato agora é professor de natação E o Bocão criou uma associação de surfistas da favela, da nova geração Que vão continuar a história do Cantão Uma estória real, de paz, e amor Que hoje quem te conta é o Gabriel O Pensador Mas há dez anos atrás, mais ou menos, era mais co Pequeno 2. Tô Vazando Tô vazando, mulher, sem choradeira Pode derramar uma cachoeira Mas depois de tanta mágoa eu tô vazando feito água E não adinta fechar a torneira porque as feridas vão continuar abertas Ah, querida, se tu fosse mais esperta Você não estaria implorando o meu amor Só que qaundo deveria você nunca deu valor Agora você tem medo de ficar sozinha Mas o nosso trem já chegou ao fim da linha, meu bem Vou descre na estação da Liberdade Toma o meu retrato e se você sentir saudade Olhe o meu sorriso e exercite a memória Relembre todos os lances da nossa estoria Todos os momentos felizes que eu te dei Todas as cicatrizes que ue guardei Todas as palavras bonitas que eu te disse Todo o seu silêncio como se eu não existisse Todas as rosas que eu te ofereci Todos os espinhos que eu tive que engolir Todos os planos que abandonei por você Todas as vezes que você me fez sofrer Sua consciência agora pesa muitos quilos Se afundando nessas lágrimas de crocodilo Mas eu vou deixar você se afogando E vou tocar o barco, tô vazando Tô vazando! Tô vazando feito a maré Tô vazando! Eu não sou palhaço, mulher Tô vazando! Eu te dei a mão você quer o meu braço Vira a bunda que eu te dou um pé "Adeus também foi feito pra se dizer Bye bye, so long, farewell" Adios, arrivederte, sayonara Dood Bye, hasta la vista, au revoir Eu vou voar, sair da gaiola E vou botar as asinhas de fora, tá na hora De zoar, curtir tudo o que eu não pude Feito um velho mergulhando na fonte da juventude Tu devia se orgulhar Pelo bem que tu me fez ao me transformar em "ex" Porque hoje eu tô feliz Mas foi você que quis Que tudo terminasse desse jeito E eu fico satisfeito desse modo E eu não me incomodo dessa forma E você não se conforma de ter feito Tanta coisa pra tentar me machucar E agora não poder remediar A minha dor de cabeça você já conseguiu Mas eu que vou sumir e você que vai tomar doril... Chega de compras, chega de jóias Chega de aturar seus ciúmes e paranóias Mais uma chance? Uma pinóia! Nosso barco naufragou e eu não vou jogar a bóia Eu tô na boa, tô na proa e vou te dar um pé na popa Pra acabar com a sua sopa A minha âncora já tá fora do mar Marujo que é marujo sabe a hora de zarpar Tô evacuando, tô saindo fora Se quiser chorar, chora, mas eu vou embora Sim senhora, já aturei tudo que podia Mas agora tô vazando, até outro dia Ou quem sabe, até nunca mais Longe de você eu vou viver em paz Amor só é bom enquanto dura Mas já faz muito tempo que o papai aqui te atura Era tão perfeito mas virou uma tortura Então eu t6o ralando peito, não me segura Bye bye, tchau, fui Fica aí chorando buá - buá, ai, ui ! Ei! Eu já falei, baby, you don't understand A chama depois que vira cinza não se acende Seu drama já não me convence C'est fini, o nosso love já chegou ao the end 3. Xaxado Chiado Eu botei o som ba caixa e testei o microfone no capricho mas o som saiu chiado Eu tentei fazer um xote, um chorinho ou um maxixe Mas não sei quem foi que disse que o que eu fiz era xaxado Ó xente, vixe! Um xaxado diferente, de repente tá chegando pra ficar Resolvi dar uma chegada lá no Sul pra mostrar o meu xaxado Porque achei que lá embaixo iam gostar Chinelo, chapéu, xampu Enchi minha mochila e parti pro Sul Encaixei um toca-fitas no Chevette e achei o meu cassete do Raúl Na estrada eu nem parei na lanchonete porque eu tinha pouco cash e esperei até chegar Em território gaúcho só pra rechear o bucho de chuleta na chapa na churrascada de lá Ó xente, vixe! É o xaxado é o maxixe! Não se avexe, chefe, chega nesse show só de chinfra Ó xente, vixe! É o xaxado é o maxixe! Não se avexe, se mexe, meu chefe, chama na xinxa! Uai, sô! Que trem doido sô! Que som doido sô! Que troço doido é esse? Uai, sô! Quem trem doido sô! Que som doido sô! Que trme bão! Fui mostrar meu xaxado pra gauchada Mas rachou o chassi e eu vendi o Chevette Cheguei no "buxixo" de charrete E "xavequei" uma mulher que parecia uma chacrete Vê um x-salsicha e uma chícara de chá Aqui aceita cheque? "Mas claro, tchê! Bah!" Tomei um chimarrão e a chacrete confundiu a salsicha com chiclete mastigando sem parar Chegaí... quer ketchup? Ela não gostou da expressão Armou o maior chilique e chamou o leão-de-chácara que veio me chutando e me jogando no chão Ô xará, eu não fiz nada demais! Peraí, vâmo fumar um cachimbinho da paz O Schwarzenegger não quis nem saber E me torturou que nem o Pinochet! Não era tiazinha mas me encheu de chicotada E me deixou chorando com a cara inchada Xi... o xerife já chegou rachando o bico "Barranqueiro!" Calma chefia, eu explico... Ele me fechou no xilindró, puxou a minha ficha E achou que eu tinha chamado ele de bicha Mas o gaúcho era macho Parecia uma rocha e usava bombacha "Aqui no Sul o buraco é mais embaixo! Eu não gosto de deboche e vou te encher de bolacha!" Refrão Paguei minha fiança com a grana do Chevette E armei um cambalacho pra não ir a julgamento Tentei fazer pechincha mas o cana me driblou feito Garrincha e me deixou sem argumento Procurei um rasta-pé e fui parar na dança chula mas a festa tava cheia de mulher As gaúcha pareciam com a Xuxa, pimba na gorducha, se der bola eu tô pé Tinha uma gostosa de cabelo cacheado que eu fiquei apaixonado só de olhar Ela só de shortinho dava um show E eu de cachecol sentindo um frio de rachar Bicho, ela tinha um remelexo de fazer cair o queixo de qualquer cristão E eu que não sou frouxo decidi dar um arrocho na cabroxa e chamei ela pro meio do salão Pôxa, que coxa! Puxei ela com força, ela chiou, aí eu disse "não se avexe" Relaxa, chinoca... relaxa... se mexe, se mexe, se mexe, se mexe, se mexe, se mexe Se mexe, se mexe, se mexe, se mexe, se mexe, se mexe, gaúcha Me empurra que eu te puxo, se eu te empurro cê me puxa Se mexe, se mexe, se mexe, se mexe, se mexe, se mexe Que o seu remelexo me deixou maluco, cheio de tesão E quando eu disse isso eu não sei que bicho deu nessa gaúcha que ela me deu um chupão E cochichou que queria aprender o meu xaxado e me ouvir falado chiado no colchão Se fosse no Chevette era chocante Mas na falta do possante eu fui pra beira de um riacho Senti um cheiro estranho mas o bicho tá pegando... Hum! Me machuquei no fecho ecler, que esculacho! O cheiro era de peixe e eu achei que era do rio Mas me deu um calafrio quando eu vi que era chulé Broxei no mesmo instante porque o cheiro da mulher era broxante E eu nem sei se era do pé Aí chegou o namorado da gaúcha, chupado, esquelético que nem um raio-x Ó xente, vixe! Tá chapado de haxixe, diz que eu vou me arrepender do que eu fiz Você? Me bater? Só se for com o chifre! Se enxerga xinxeiro magricela! Mas o cara era faixa-preta, me acertou que nem boliche e me deixou com olho roxo e banguela Eu só levei "prejú" na viagem pro Sul Agora eu vou pro estrangeiro pra tentar esquecer Vou mostrar o meu xaxado viajando o mundo inteiro E comprar outro Chevette com o dinhiro do cachet Refrão Ê, meu rei, que som massa, véio Que som "loco" mano, que som da hora esse Ê, meu rei, que som massa, véio Que som "loco" mano, que som dez 4. Nádegas a Declarar Ordem e progresso, sua bunda é um sucesso Nádegas a declarar, nádegas a declarar Nádegas a declarar? Claro que não! Eu tenho opinião nesse papo de bundão E vou dizer, mas primeiro você, Fernanda Primeiro as damas, o que que cê manda? Aí, Gabriel, vou logo deixar claro, não é lição de moral Todo mundo tá sabendo que sambra é tropical No país do futebol e carnaval Mexer essa bundinha até que é natural No meu ponto de vista, sem quer ser feminista A bundalização é bastante estimulada Por essa cultura machista, cê sabe... tá cheio de porco-chauvinista Por isso que esse papo não é só pras menininhas É pra todos esses caras que dão força, que dão linha No concurso, na promessa de futuro No programa de tv e no rádio toda hora pra você A-ahá! Arrebita a rabeta! A-ahá! E me diz, meu bem, o que mais que você tem? A-ahá! Arrebita bem a bunda, vagabunda, que a bunda é tudo de bom que você tem O que que você tem de bom além do bumbum? Um talento, algum dom? Ou as suas qualidades estão limitadas ao balanço dessa bunda arrebitada? O que que você tem além da bunda? Pense bem que a pergunta é profunda Não, não é isso menina! Eu não tô falando da sua virilha Que deve ser uma maravilha Mas seu cérebro é menor do que um caroço de ervilha Ô minha filha, acorda pra vida! A sua bunda tá em cima, mas sua moral tá caída A dignidade tá em baixa Você só rebola, só rebola, rebola e se rebaixa E se encaixa no velho perfil: Mulher objeto em pleno ano dois mil E um, e dois, e três Sempre tem alguém pra ser a bunda da vez Te chamam de celebridade e você acredita Enche o rabo de vaidade e arrebita Você tira até retrato três por quatro de costas Pensa com a bunda e quando abre a boca só sai bos... Talvez você nem seja tão piranha Mas qualquer concurso miss bumbum que tem você se assanha A-ahá! E tira foto fazendo pose de garupa de moto A-ahá! Vai sair na revista e o povo vai dizer que você é artista Porque agora bunda, é cultura, é esporte É até filosofia, quase uma religião E se você tiver sorte pode ser seu passaporte para a fama Ou pra cama, pode ser seu ganha-pão Bunda conhecida, bunda milionária Bonitinha mas ordinária Que nem otária na tv, de perna aberta Queima o filme das mulheres e se acha muito esperta Vai, vai lá, vai entrar na dança, vai usar a poupança Vai ficar orgulhosa sem saber o mau exemplo que tá dando pras crianças Adolescentes, adultas e adultos retardados Que idolatram um simples rebolado (Bando de bundão!!) aplaudindo a atração (Não pelas idéias mas pelo burrão) (Ordem e progresso, sua bunda é um sucesso... Ai, nádegas a declarar Lombo ambulante, burrão ignorante!) Sua bunda é alucinante A rabeta arrebenta mas beleza não é tudo Além da forma tem que ter conteúdo Senão você se torna descartável Que nem uma boneca inflável Então encare a realidade com o seu olho da frente E veja a vida de uma forma diferente Porque uma mulher decente Pode ser muito mais atraente que uma bunda sorridente Então, garota sangue bom Se liga na missão, se liga nesse toque Ser ou não ser, eis a questão A vida é bem mais que um número no Ibope Deixe a sua mente bem ligada ou vai ficar injuriada Reclamando que não é valorizada Pára pra pensar, bota a bunda no lugar E a cabeça pra funcionar Solta essa bundinha, solta o verso Solta a rima minha filha, solta o verbo na cara do Brasil Que atrás de você virão mais de mil Eu também não sou chegado em celulite Mas eu vou te dar um palpite, exercite a tua mente E não se irrite se eu tô sendo muito franco Mas atualmente ela só pega no tranco Amanhã você vai olhar pra trás E vai ver que o seu colã já não entra mais Vai querer fazer uma lipo, vai querer meter "silico" E vai continuar pagando mico Ordem e progresso, sua bunda é um sucesso Nádegas a declarar, nádegas a declarar... 5. Cachorrada Sou um vira-lata e tô afim daquela gata de responsa Que parece uma onça Ela é de raça, não é nenhuma gata vadia E quando ela passa, o meu pêlo se arrepia Ela mia, miau, e eu passo mal Eu não sou gato, eu só lato, au, au Algum tagarela me falou que ela é donzela Que é melhor eu desistir e procurar uma cadela Eu disse: é ruim, animal, de cachorra eu tô legal A última que eu tive me trocou por um chow-chow, é tudo igual Jeitinho de santa, cara-de-pau, e quando ficam no cio fazem até bacanal Tô afim de uma gata, mas só tem cachorra Tô afim de uma gata, mas só tem cachorra Tô afim de uma gata, mas só tem cachorra Tô afim de de uma gata mas só acho canina Vou soltar os cachorros em cima Eu já rezei pra São Bernardo pra conquistar esse amor E até procurei um pastor Mas eu não entendi a oração que o pastor me passou Porque o pastor era pastor alemão E eu só sei latir em português! Estou me sentindo um pequinês! "Um conselho, deixa a gata pra lá Ou cê só vai arrumar sarna pra se coçar Ela é muita ração pra sua tigela Ela mora na mansão, você mora na favela Ela só come salmão, tu nem pão com mortadela Ela torce pro Palmeiras, tu é Timão Ela é Mangueira e tu Portela E tu é cão vira-lata, ela é gata, esquece! Eu te apresento pruma poodle mais bonita que a Lassie" Au, au, alto lá! Só porque você foi adestrado tá querendo me ensinar? Eu conheço a tua raça... Quer meter o focinho onde não foi chamado? Passa, passa, passa! Que eu não sou pitbull mas tô ficando nervoso Avisa pra gata que ela vai ter um esposo Que é um vira-lata teimoso Eu não sou nenhum dálmata mas também sou pintoso "E aí vira-lata?" Fala, fila! "Não se finge de morto, não, não vacila Aí... aquele gato ali... tás afim da tua gata E falou que faz na pata com você Quero ver, vai lá, mete o canino na orelha do felino Dá-lhe uma dentada feito Tyson atacando o Hollyfield Pega esse Garfield na porrada, aí... Qualé a da parada, aí? Não vai fazer nada, aí?" Calma aí, sem briga Eu quebro esse mané só na idéia, se liga: Escuta aqui seu projeto de tamborim! Eu não tô falando grego nem latindo em latim Eu tô afim daquela gata e tô sabendo que tu quer levar uns tapa na lata Mas não vou perder meu tempo com moleque brigão Que não tem nada na cabeça e tira onda de machão Tá querendo se atracar comigo? Não rola! Vai atrás do piu-piu, frajola! Tá cheio de rotweiller cercando a casa dela Mas eu tô entrando pela janela Pareço até um gato mas não mio nem arranho... Aúúú! Ela tá tomando banho! Oi minha deusa felina Gostei desse banho de língua, cê me ensina? "Que isso!? Cachorro! Me solta!" Calma gatinha, vâmo dá uma volta... Fica tranquila que eu não vou te morder Encolhe as tuas unhas que eu te levo pra ver Um filmaço que eu assisto todo dia: O frango que roda, lá na padaria Vâmo! Foge da mansão E vem conhecer a minha vida de cão, que tem mais emoção Bora gatinha, cola na minha Pega!! Ih babou! A carrocinha! Au, au, algemaram meu pescoço Onde já se viu? Me trancaram num canil! Se eu tivesse pedigree eu duvido que eu tivesse aqui Pagando por um crime que eu não cometi Eu não sou lobo e a gata não é ovelha Mas eu também não sou bobo e tô com a pulga atrás da orelha Com esse cão policial que fica rindo de mim Tá bancando o Rin-tim-tim mas parece o Rabugento Me tira daqui! Eu não tenho sete vidas Preciso aproveitar o meu tempo Agora eu tô na boa A gata me tirou do canil e pediu pra ser minah patroa Eu nunca fui de baderna Mas também não saio com o rabo entre as pernas Bicho solto! O meu dono é a liberdade Osso duro de roer é pra roer com vontade É o bicho! Quem se empenha chega lá A gatinha tá prenha vâmo ver que bicho dá.. 6. Matador Ele não gosta de café sem açúcar nem comida sem sal E por isso a sua esposa se deu mal Vacilou no fogão não tem perdão Acabou estrangulada e pendurada no varal Ele não gosta de homem nem de homossexual Só do Padre Marcelo porque o padre é legal Esse cara é matador mas acredita no Senhor Jesus E tá sempre com uma cruz pendurada no cordão Na cinta uma pistola, um três-oitão e bastante munição A descrição? Bem, nem alto nem baixo, nem fraco nem forte E feio feito a morte O seu rosto quem conhece não esquece Mas quem vê diz que não viu e que se ver não reconhece O seu nome ninguém sabe dizer Só a mãe que sabia, mas depois de nascer Ele enforcou a coitadinha com o cordão umbilical Tudo isso no quintal, que não tinha hospital Apagou os vizinhos e cresceu ali sozinho Desde menino com um instinto assassino (Mata!) Ele mata pela frente (Mata!) Ele mata por trás (Mata!) Ele mata muita gente (Mata!) Ele mata mas faz Cresceu e quis entrar pra polícia É lógico que foi aprovado no teste psicológico Mas na prova de tiro foi reprovado Porque deu pipoco pra tudo que é lado e derrubou um bocado Frustrado, foi parar numa fazenda Jagunço de responsa, matador por encomenda Mas um dia ele cansou de ser peão Decepou o patrão com um facão e descobriu uma profissão que dá dinheiro: Pistoleiro de aluguel Você paga e dá o nome, que ele manda pro céu Não importa o motivo, adultério ou vingança Guerra de família, discussão na vizinhança O seu objetivo ele alcança Vivo é tudo igual, o que muda é a cobrança Sem terra é por tempo de matança Criança abandonada é por quilo, pesada na balança Operário é um salário E pra matar o pai e mãe é dez por cento da herança Juiz ou delegado, prefeito ou deputado... Todos tem seu preço, que o serviço é tabelado Ele nunca lê jornal, porque não sabe ler Mas em troca de um presunto recebeu uma tv Começou a ver notícia e descobriu que profissão que dá dinheiro, Muito mais que pistoleiro, é a política: Ganhar grana de verdade, na maior tranquilidade Porque tem a imunidade no país da impunidade "E é por isso que os político tá sempre contratando os meus serviço Pra matar uma pá de gente... Mas agora eu também quero ficar rico Vou me candidatar e tem que ser pra presidente! Deputado, nem pensar, porque um suplente vai mandar algum colega me matar!" Chegou a eleição e as pesquisas apontavam um fracasso Mas ele ganhou fácil Matou os candidatos oponentes um por um E foi eleito presidente sem problema nenhum Na posse ele escondeu o seu revólver sob o terno E prometeu que o seu governo era muito "muderno" Mas depois de pouco tempo começaram os decretos E medidas provisórias, provocando desafetos Aumentaram os impostos e também a oposição Mas ele não gosta de reclamação Só de raiva resolver exterminar os aposentados E dizer que o desemprego era pro bem da nação (Um pistoleiro incomoda muita gente! O presidente incomoda muita mais! Um pistoleiro assassina muita gente! O presidente assassina muito mais!) E o povo vai morrendo cada vez mais Atingido por emenda anticonstitucionais Quando tem corrupção com telefone grampeado e o cacete Ele varre pra debaixo do tapete Todo tá pagando e o país só tá devendo Presidente tá matando Mas ninguém tá reclamando porque o bicho tá pegando E o coro tá comendo Presidente tá chegando Todo sai correndo porque o presidente é mau, pega um, pega geral! Presidente é mau, pega um, pega geral! Presidente é mau, pega um, pega geral! (Empresário!) (Classe média!) (Zona urbana e rural!) E o povo reunido, muita gente assistindo a cerimônia Da privatização da amazônia Aplaudindo o presidente matador, com medo de vaiar Debaixo de um calor de rachar Ele pára seu discurso pra tirar o terno quente Fica sem camisa e escuta de repente: (Ih! Alá! O presidente esqueceu o três-oitão!) Ele encara a multidão... Põe a mão na cintura e não encontra a pistola (Ele tá desarmado!) (Pega!) (Esfola!) Ele chora, se apavora e implora piedade Mas agora tá na hora da verdade O povo brasileiro resolveu se vingar Cercou o pistoleiro e começou a gritar: (Mata!) Ele mata pela frente (Mata!) Ele mata pro trás (Mata!) Ele mata muita gente (Mata!) ... Hoje eu tô feliz, matei o presidente. 7. Amigo Urso/ Resposta do Amigo Urso Amigo Urso, saudação polar Ao leres esta, hás de te lembrar Daquela grana que eu te emprestei Quando estavas mal de vida e nunca te cobrei Hoje estás bem e eu me encontro em apuros Espero receber e pode ser sem juros Este é o motivo pelo qual te escrevi Agora quero que saibas como me lembrei de ti Conjeturando sobre a minha sorte Transportei-me em pensamento até o Pólo-Norte E lá chegando sobre aquelas regiões Vai vendo só quais as minhas condições Morto de fome, de frio e sem abrigo Sem encontrar em meu caminho um só amigo Eis que de repente vi surgir na minha frente Um grande urso e apavorado me senti E ao vê-lo caminhando sobre o gelo Porque não dizê-lo? Foi que me lembrei de ti Espero que mandes pelo portador O que não é nenhum favor Tô te cobrando o que é meu Sem mais queira aceitar um forte abraço Deste que muito te favoreceu O meu garoto já cresceu Dá cá o meu Dá cá o meu Que o meu garoto já cresceu Manda mais cem Que tu não negas pra ninguém Amigo velho, aí vai tua resposta Quem é pobre nesse mundo Sempre come do que gosta e o que não gosta Eis porque fiquei furioso Recebendo do amigo um tratamento desdenhoso Mas a minha raiva logo se reprimiu Eu não posso querer mal a quem tanto, tanto me serviu Tua cartinha causou-me admiração És perfeito na cobrança, como o gringo Salomão (Que vende roupa a prestação) Há muito eu andava persuadido Que tu eras um sabido com carinha de otário Mas hoje tua cartinha relendo Foi que fiquei sabendo que és expedicionário Fostes ao pólo sem gostar do teu algum Enquanto eu fiquei sem nenhum aqui na velha dura sorte Manda mais cem, eu sei que tu não negas E receba do colega outro abraço forte Minha continha eu pagarei no Pólo-Norte 8. -Não Dá Pra Ser Feliz (Guerreiro Menino) Entregue à própria sorte, nessa selva Onde a lei é a do mais forte Indefeso, carregando todo o peso O homem não consegue suportar Não sabe como lidar com a vida que a vida lhe dá Está de mãos e pés atados, incapacitado de fazer o que é capaz Jaz morto-vivo no mundo Reduzido a vagabundo Sem poder sorrir, sem poder sonhar, sem poder... Sempre no mesmo lugar Sem trabalho, sem sustento, sem moral Rendido, ao relento, feito um animal "Eu vejo que ele berra, eu vejo que ele sangra A dor que tem no peito, pois ama, e ama... Não dá pra ser feliz, não dá pra ser feliz..." O destino testa a sua paciência Instigando o seu instinto de sobrevivência Vergonha, estresse, medo Engolindo seco, respirando azedo O bicho-homem atrás de migalha O homem-máquina precisando de batalha Desativado, vivendo de favor Lutador que não pode jogar a toalha Tentando manter sua dignidade À procura de uma oportunidade Na guerra contar o tempo tá ficando tarde Inocente cumpre pena num sistema covarde "Guerreiros são pessoas tão fortes, tão frágeis Guerreiros são meninos no fundo do peito... Não dá pra ser feliz, não dá pra ser feliz..." O homem, bicho, domesticado Se vê desesperado se vê sua ração no mercado Mas não pode pagar E vê sua razão sem saber o que falar E a necessidade lhe dizendo pra comer Custe o que custar: matar, morrer... "O homem também chora..." O homem não é fera Foi jogado fora Foi violentado em seu direito de viver Vive sem vontade, morre sem saber Perde o equilíbrio, cai, se destrói E o mundo se distrai O mundo se desfaz com tanta disputa E faz que não escuta A sua voz que diz: "O que será que eu fiz? Só tenho cicatriz Não dá pra ser feliz O homem se humilha se castram seus sonhos Seu sonho é sua vida e vida é trabalho E sem o seu trabalho o homem não tem honra E sem a sua honra, se morre, se mata Não dá pra ser feliz, não dá pra ser feliz..." 9. Brazuca (remix) (Futebol não se aprende na escola) No país do futebol, o sol nasce para todos Mas só brilha para poucos E brilhou pela janela do barraco Da favela onde mora esse garoto chamado Brazuca Que não tinha nem comida na panela Mas fazia embaixada na canela e deixava a galera maluca Era novo e já diziam que era um novo Pelé Que fazia o que queria com uma bola no pé Que cobrava falta bem melhor que o Zico e o Maradona E que driblava bem melhor que o Mané, pois é E o Brazuca cresceu, despertando o interesse em empresários E a inveja nos otários Inclusive em seu irmão que tem um pôster do Romário no armário Mas que joga mal pra c... O nome dele é Zé Batalha e, desde pequeno, ele trabalha Pra ganhar uma migalha que alimenta sua mãe e seu irmão mais novo Nenhum dos dois estudou porque não existe educação pro povo No país do futebol (futebol não se aprende na escola) É por isso que Brazuca é bom de bola Brazuca é bom de bola Brazuca deita e rola Zé Batalha só trabalha Zé Batalha só se esfola Brazuca é bom de bola Brazuca deita e rola Zé Batalha só trabalha Zé Batalha só se esfola Chega de levar porrada A canela tá inchada e o juíz não vê Chega dessa marmelada A camisa tá suada de tanto correr Chega de bola quadrada Essa regra tá errada, vâmo refazer Chega de levar porrada A galera tá cansada de perder No país do futebol quase tudo vai mal Mas Brazuca é bom de bola, já virou profissional Campeão estadual, campeão brasileiro Foi jogar na seleção, conheceu o mundo inteiro E o mundo inteiro conheceu Brazuca com a 10 Comandando na meiuca como quem joga sinuca com os pés Com calma, com classe, sem errar um passe O que fez que seu passe também se valorizasse E hoje ele é o craque mais bem pago da Europa Capitão da seleção, tá lá na Copa Enquanto o seu irmão Zé Batalha E todo o seu povão - a gentalha Da favela de onde veio - só trabalha Suando a camisa, jogado pra escanteio Tentando construir uma jogada mais bonita Do que a grana que carrega na marmita Contundido de tanto apanhar, Confundido com bandido Impedido, pode parar Sem reclamar pra não levar cartão vermelho Zé Batalha sob a mira da metralha, de joelho Tentando se explicar com um revólver na nuca Eu sou trabalhador, sou irmão do Brazuca Ele reza, prende a respiração E lá na Copa penâlti a favor da seleção Bola no lugar, Brazuca vai bater Dedo no gatilho, Zé Batalha vai morrer Juiz apitou, tudo como tinha que ser Tá lá mais um gol, e o Brasil é campeão Tá lá mais um corpo estendido no chão O país ficou feliz depois daquele gol Todo mundo satisfeito, todo mundo se abraçou Muita gente até chorou, uma comemoração Com orgulho de viver neste país campeão E na favela no dia seguinte, ninquém trabalha É o dia de enterrar o que sobrou do Zé Batalha Mas não tem ninguém pra carregar o corpo Nem pra fazer uma oração pelo morto Tá todo mundo com a bandeira na mão Esperando a seleção no aeroporto É campeão! Da hipocrisia, da violência, da humilhação É campeão! Da ignorância, do desespero, da desnutrição É campeão! Da covardia, da miséria, da corrupção É campeão! Do abandono, da fome, da prostituição Chega de levar porrada! 10. Porca Miséria Eu não como porco, eu como farelo! Eu não como porco, eu como farelo! Eu não como porco, eu como farelo! Os porcos me comeram de verde e amarelo! Sujaram meu chiqueiro! Fizeram porcaria! Limparam meu dinheiro e a barriga tá vazia! A linguiça tá vazia, eu tirei a carne Eu não como porco, tia I don't eat swine A barriga tá vazia e eu tô no rango Vô encher essa linguiça com carne de frango Eu peguei uma panela pra fazer uma canja Mas o frango olhou pra ela e fugiu da granja Tem o frango congelado no supermercado Mas o meu cartão de crédito tá bloqueado Yo tengo hambre, as hungry as an elefant Se eu tivesse money, hombre, comeria um restaurant Se eu tivesse no natal até comia peru Se eu tivesse no Japão comia peixe cru Só que lá no japonês eu não tenho vez Eu não sei comer com dois pauzinhos nem com três A minha vara de pescar tá quebrada E o meu peixe... até agora "nada" Eu já quebrei a vara e também quebrei a banca O peixe custa os olhos da cara e eu só como carne branca A carne moída dá água na boca Mas é que eu tenho medo de pegar uma "vaca louca" O povo come ovo e o meu ovo ia pro prato Mas eu peguei o ovo e acertei no candidato Porque eu já enchi o saco dessa porcaria: Encheção de linguiça e a barriga vazia Porcos, querem que eu mantenha a esperança Mas como é que eu faço pra encher a minha pança? Diz como é que eu posso acreditar numa mudança? Se nossas barrigas só se enchem com crianças Ou então com gazes, ou então lombriga E as nossas bocas só se enchem de formigas Quando agente fala muito e de repente some Ou quando alguém mata um homem pra matar a fome Saco vazio não pára em pé Tá me dando calafrio mas eu tenho fé Que eu vou conseguir alguma forma de alimento Nem que seja um pão com água ou pastel de vento Tem farofa no despacho da esquina Tem cachaça mas eu quero vitamina! Vitamina de banana, caldo de feijão Olha, gente fina, eu tô comendo até ração! Enquanto os porcos tão comendo a nação Tão comendo com os olhos toda a minha refeição Se correr... o bicho pega, se ficar o bicho come Então eu vou andar pra ver se mato a minha fome Rapadura lá no Ceará eu sei que tem Tacacá em Macapá, açaí em Belém Amazonas tem as frutas lá da Zona Franca de Manaus E no Rio tem "filé miau" Quero virado à paulsita, tutu à mineira Picanha gaúcha e piranha pantaneira Moqueca capichaba, rapá Goiás, pequi, Bahia, vatapá Piauí, Paraíba, Paraná... Pimenta malagueta pro planeta balançar! Tô na boa em Boa Vista, Acre doce, tô que Tocantis! Natal, Porto Velho, tô que tô afim de acarajé, Aracaju, jacaré, pirarucu Ou pode ser um camarão do Maranhão ou um filé de tubarão lá de Pernambuco Alagoas! Ah, eu tô maluco! Com um lombinho que eu conheci em Santa Catarina Mas não é de porco que eu não como suína. 11. Astronauta Astronauta tá sentindo falta da Terra? Que falta que essa Terra te faz? A gente aqui embaixo continua em guerra Olhando aí pra lua implorando por paz Então me diz: por que que você quer voltar? Você não tá feliz onde você está? Observando tudo a distância Vendo como a Terra é pequenininha Como é grande a nossa ignorância E como a nossa vida é mesquinha A gente aqui no bagaço, morrendo de cansaço De tanto lutar por algum espaço E você, com todo esse espaço na mão Querendo voltar aqui pro chão? Ah não, meu irmão... qual é a tua? Que bicho te mordeu aí na lua Eu vou pro mundo da lua Que é feito um motel Aonde os deuses e deusas Se abraçam e beijam no céu Ah não, meu irmão... qual é a tua? Que bicho te mordeu aí na lua? Fica por aí que é o melhor que cê faz A vida por aqui tá difícil demais Aqui no mundo, o negócio tá feio Tá todo mundo feito cego em tiroteio Olhando pro alto, procurando a salvação Ou pelo menos uma orientação Você já tá perto de Deus, astronauta Então, me promete Que pergunta pra ele as respostas De todas as perguntas e me manda pela internet É tanto progresso que eu pareço criança Essa vida de internauta me cansa Astronauta, cê volta e me deixa dar uma volta na nave Passa a chave que eu tô de mudança Seja bem-vindo, faça o favor E toma conta do meu computador Porque eu tô de mala pronto, tô de partida E a passagem é só de ida Tô preparando pra decolagem Vou seguir viagem, vou me desconectar Porque eu já tô de saco cheio E não quero receber nenhum e-mail com notícia dessa merda de lugar Eu vou pra longe, onde não exista gravidade Pra me livrar do peso da responsabilidade De viver nesse planeta doente E ter que achar a cura da cabeça e do coração da gente Chega de loucura, chega de tortura Talvez aí no espaço eu ache alguma criatura inteligente Aqui tem muita gente mas eu só encontro solidão Ódio, mentira, ambição Estrela por aí é o que não falta, astronauta A Terra é um planeta em extinção Nádegas a Declarar - 1999 01. Cantão 02. Tô Vazando 03. Xaxado Chiado 04. Nádegas a Declarar Participação especial: FERNANDA ABREU 05. Cachorrada 06. Matador07. Amigo Urso - Resposta do Amigo Urso Participação especial: MOREIRA DA SILVA 08. Não Dá pra Ser Feliz Participação especial: DANIEL GONZAGA 09. Brazuca (remix) 10. Porca Miséria 11. Astronauta Participação especial: LULU SANTOS

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Álbum: " NÁDEGAS A DECLARAR " Sony Music, 1999

1. Cantão

A galera lá do morro tá sabendo Hoje vai ter festa na casa do Pequeno Aquke molequinho que tá sempre no Cantão Neguinho tá dizendo que ele mora na maior mansão É, a galera sempre aumenta Mas a cachanga é de responsa, no 550 Tem deck, piscina, quem vê não imagina Que o Pequeno mora lá "É, o cara é gente fina" Ele desce todo dia a pé pro Cantão Junto com um pretinho que se chama Janjão Às vezes com o Nem, às vezes com o Baya Às vezes sem ninguém mas tá sempre lá na praia Chega sozinho e todo mundo já conhece Chega cedinho e só sai quando escurece Pega o seu cate e vai direto pra favela Pra andar no half-pipe lá da "curva do S" É, nem parece que ele é filho de bacana A aparência às vezes engana Mas a grana, no caso, não faz diferença Muito pelo contrário, a grana é o de menos A galera da favela vai marcar uma presença Hoje tem aniversário na casa do Pequeno

Eu sou do Cantão! E lá não tem parada Todo mundo é irmão, todo mundo é camarada Eu sou do Cantão! E lá não tem caô Todo mundo é peão, todo mundo é doutor Eu sou do Cantão! E lá não tem errada Um aperto de mão vale mais que uma mesada Eu sou do Cantão! E lá não tem terror Amizade não tem classe nem cor

Ele mora ali de frente pro mar, mané Mas é pertinho do morro, a galera vai a pé Pra entrar no condomínio tem até segurança Mas não barrou ninguém! Vâmo pra festança! Olha quanta coisa bonita! "Pequeno!" "Peraí maluco num grita! "Ele mora ali naquela casa de tá cheia de gente E cheia de carrão estacionado na frente Todo mundo chique, de roupa social E agente assim largado, vai até pegar mal" "É melhor sair fora pra não pagar mico Isso é festa de rico, não é pro nosso bico" "Que isso Chiquinho? Nada a ver! Quando é festa lá no morro o Pequeno é o primeiro a aparecer" "É, se ele vive lá no funk e no pagode Porque no aniversário dele agente não pode?" "É isso aí Almir-Rato O Pequeno convidou, e se agente não entrar vai ficar chato" "Vâmo nessa galera, quem não deve não teme O Tripa sempre vem aí jogar vídeo-game Diz pra ele Negão!" "Eu até ranguei aí outro dia, meu irmão! Não tem erro não" "Demorô!" "Aí, ô o Pequeno aí fora, de bermuda e chinelo" "Chegaí!" "Vambora!" Tá rolando um refri, cachorro e coxinha E tá sobrando um monte de gatinha

Refrão

E o Pequeno cresceu e nem se lembra dos presentes que ganhou Mas da festa ele nunca se esqueceu A família reunida, os colegas da escola A galera lá do morro e só discão na vitrola Se esqueceu até do beijo da menina Mas se lembra da galera se jogando na piscina As lembranças do tempo de moleque no Cantão Ficaram marcadas na cabeça e no coração Como aquele cara que não tinha as duas pernas E subia num skate se arrastando na favela A força de vontade daquele aleijado Simbolizava a humildade e a batalha do favelado E a coragem que aquela gente tinha e tem São um exemplo de vida que o moleque aprendeu bem: Lutar pra viver, ser mais solidário E nunca vacilar, porque não há lugar pra otário E nem pra malandro demais A malandragem é saber sobreviver em paz Saber a hora de falar e a hora de ficar calado E respeitar pra ser respeitado E se os ricos pensam que o convívio dos seus filhos com os pobres atrapalha a educação O Pequeno aprendeu o que nenhuma escola pode ensinar convivendo com a galera do Cantão Ele viu que a riquesa na verdade é viver com humildade e vencer o preconceito E ganhou o que nenhum dinheiro pode comprar: A amizade que até hoje guarda dentro do peito

E a galera até hoje se reúne lá no canto Uns todo dia, outros nem tanto Alô Gebara, Vaguinho, Pamonha e Passarinho Bonito, Creck, Bila, Boc, Xêra e Maluquinho Tim Dorê, Pinel, Suruba e Gargamel O Night entrou pro bicho e foi mais cedo pro céu Abobrinha se mudou pra Fortaleza O Déo já é papai e é fiscal da natureza, beleza O Janjão virou piloto de asa e, quem diria O Nenô virou crente e vai à igreja todo dia! Almir-Rato agora é professor de natação E o Bocão criou uma associação de surfistas da favela, da nova geração Que vão continuar a história do Cantão Uma estória real, de paz, e amor Que hoje quem te conta é o Gabriel O Pensador Mas há dez anos atrás, mais ou menos, era mais co Pequeno

2. Tô Vazando

Tô vazando, mulher, sem choradeira Pode derramar uma cachoeira Mas depois de tanta mágoa eu tô vazando feito água E não adinta fechar a torneira porque as feridas vão continuar abertas Ah, querida, se tu fosse mais esperta Você não estaria implorando o meu amor Só que qaundo deveria você nunca deu valor Agora você tem medo de ficar sozinha Mas o nosso trem já chegou ao fim da linha, meu bem Vou descre na estação da Liberdade Toma o meu retrato e se você sentir saudade Olhe o meu sorriso e exercite a memória Relembre todos os lances da nossa estoria Todos os momentos felizes que eu te dei Todas as cicatrizes que ue guardei Todas as palavras bonitas que eu te disse Todo o seu silêncio como se eu não existisse Todas as rosas que eu te ofereci Todos os espinhos que eu tive que engolir Todos os planos que abandonei por você Todas as vezes que você me fez sofrer Sua consciência agora pesa muitos quilos Se afundando nessas lágrimas de crocodilo Mas eu vou deixar você se afogando E vou tocar o barco, tô vazando

Tô vazando! Tô vazando feito a maré Tô vazando! Eu não sou palhaço, mulher Tô vazando! Eu te dei a mão você quer o meu braço Vira a bunda que eu te dou um pé "Adeus também foi feito pra se dizer Bye bye, so long, farewell"

Adios, arrivederte, sayonara Dood Bye, hasta la vista, au revoir Eu vou voar, sair da gaiola E vou botar as asinhas de fora, tá na hora De zoar, curtir tudo o que eu não pude Feito um velho mergulhando na fonte da juventude Tu devia se orgulhar Pelo bem que tu me fez ao me transformar em "ex" Porque hoje eu tô feliz Mas foi você que quis Que tudo terminasse desse jeito E eu fico satisfeito desse modo E eu não me incomodo dessa forma E você não se conforma de ter feito Tanta coisa pra tentar me machucar E agora não poder remediar A minha dor de cabeça você já conseguiu Mas eu que vou sumir e você que vai tomar doril... Chega de compras, chega de jóias Chega de aturar seus ciúmes e paranóias Mais uma chance? Uma pinóia! Nosso barco naufragou e eu não vou jogar a bóia Eu tô na boa, tô na proa e vou te dar um pé na popa Pra acabar com a sua sopa A minha âncora já tá fora do mar Marujo que é marujo sabe a hora de zarpar

Tô evacuando, tô saindo fora Se quiser chorar, chora, mas eu vou embora Sim senhora, já aturei tudo que podia Mas agora tô vazando, até outro dia Ou quem sabe, até nunca mais Longe de você eu vou viver em paz Amor só é bom enquanto dura Mas já faz muito tempo que o papai aqui te atura Era tão perfeito mas virou uma tortura Então eu t6o ralando peito, não me segura Bye bye, tchau, fui Fica aí chorando buá - buá, ai, ui ! Ei! Eu já falei, baby, you don't understand A chama depois que vira cinza não se acende Seu drama já não me convence C'est fini, o nosso love já chegou ao the end

3. Xaxado Chiado

Eu botei o som ba caixa e testei o microfone no capricho mas o som saiu chiado Eu tentei fazer um xote, um chorinho ou um maxixe Mas não sei quem foi que disse que o que eu fiz era xaxado Ó xente, vixe! Um xaxado diferente, de repente tá chegando pra ficar Resolvi dar uma chegada lá no Sul pra mostrar o meu xaxado Porque achei que lá embaixo iam gostar Chinelo, chapéu, xampu Enchi minha mochila e parti pro Sul Encaixei um toca-fitas no Chevette e achei o meu cassete do Raúl Na estrada eu nem parei na lanchonete porque eu tinha pouco cash e esperei até chegar Em território gaúcho só pra rechear o bucho de chuleta na chapa na churrascada de lá

Ó xente, vixe! É o xaxado é o maxixe! Não se avexe, chefe, chega nesse show só de chinfra Ó xente, vixe! É o xaxado é o maxixe! Não se avexe, se mexe, meu chefe, chama na xinxa! Uai, sô! Que trem doido sô! Que som doido sô! Que troço doido é esse? Uai, sô! Quem trem doido sô! Que som doido sô! Que trme bão!

Fui mostrar meu xaxado pra gauchada Mas rachou o chassi e eu vendi o Chevette Cheguei no "buxixo" de charrete E "xavequei" uma mulher que parecia uma chacrete Vê um x-salsicha e uma chícara de chá Aqui aceita cheque? "Mas claro, tchê! Bah!" Tomei um chimarrão e a chacrete confundiu a salsicha com chiclete mastigando sem parar Chegaí... quer ketchup? Ela não gostou da expressão Armou o maior chilique e chamou o leão-de-chácara que veio me chutando e me jogando no chão Ô xará, eu não fiz nada demais! Peraí, vâmo fumar um cachimbinho da paz O Schwarzenegger não quis nem saber E me torturou que nem o Pinochet! Não era tiazinha mas me encheu de chicotada E me deixou chorando com a cara inchada Xi... o xerife já chegou rachando o bico "Barranqueiro!" Calma chefia, eu explico... Ele me fechou no xilindró, puxou a minha ficha E achou que eu tinha chamado ele de bicha Mas o gaúcho era macho Parecia uma rocha e usava bombacha "Aqui no Sul o buraco é mais embaixo! Eu não gosto de deboche e vou te encher de bolacha!"

Paguei minha fiança com a grana do Chevette E armei um cambalacho pra não ir a julgamento Tentei fazer pechincha mas o cana me driblou feito Garrincha e me deixou sem argumento Procurei um rasta-pé e fui parar na dança chula mas a festa tava cheia de mulher As gaúcha pareciam com a Xuxa, pimba na gorducha, se der bola eu tô pé Tinha uma gostosa de cabelo cacheado que eu fiquei apaixonado só de olhar Ela só de shortinho dava um show E eu de cachecol sentindo um frio de rachar Bicho, ela tinha um remelexo de fazer cair o queixo de qualquer cristão E eu que não sou frouxo decidi dar um arrocho na cabroxa e chamei ela pro meio do salão Pôxa, que coxa! Puxei ela com força, ela chiou, aí eu disse "não se avexe" Relaxa, chinoca... relaxa... se mexe, se mexe, se mexe, se mexe, se mexe, se mexe Se mexe, se mexe, se mexe, se mexe, se mexe, se mexe, gaúcha Me empurra que eu te puxo, se eu te empurro cê me puxa Se mexe, se mexe, se mexe, se mexe, se mexe, se mexe Que o seu remelexo me deixou maluco, cheio de tesão E quando eu disse isso eu não sei que bicho deu nessa gaúcha que ela me deu um chupão E cochichou que queria aprender o meu xaxado e me ouvir falado chiado no colchão Se fosse no Chevette era chocante Mas na falta do possante eu fui pra beira de um riacho Senti um cheiro estranho mas o bicho tá pegando... Hum! Me machuquei no fecho ecler, que esculacho! O cheiro era de peixe e eu achei que era do rio Mas me deu um calafrio quando eu vi que era chulé Broxei no mesmo instante porque o cheiro da mulher era broxante E eu nem sei se era do pé Aí chegou o namorado da gaúcha, chupado, esquelético que nem um raio-x Ó xente, vixe! Tá chapado de haxixe, diz que eu vou me arrepender do que eu fiz Você? Me bater? Só se for com o chifre! Se enxerga xinxeiro magricela! Mas o cara era faixa-preta, me acertou que nem boliche e me deixou com olho roxo e banguela Eu só levei "prejú" na viagem pro Sul Agora eu vou pro estrangeiro pra tentar esquecer Vou mostrar o meu xaxado viajando o mundo inteiro E comprar outro Chevette com o dinhiro do cachet

Refrão Ê, meu rei, que som massa, véio Que som "loco" mano, que som da hora esse Ê, meu rei, que som massa, véio Que som "loco" mano, que som dez

4. Nádegas a Declarar

Ordem e progresso, sua bunda é um sucesso Nádegas a declarar, nádegas a declarar Nádegas a declarar? Claro que não! Eu tenho opinião nesse papo de bundão E vou dizer, mas primeiro você, Fernanda Primeiro as damas, o que que cê manda? Aí, Gabriel, vou logo deixar claro, não é lição de moral Todo mundo tá sabendo que sambra é tropical No país do futebol e carnaval Mexer essa bundinha até que é natural No meu ponto de vista, sem quer ser feminista A bundalização é bastante estimulada Por essa cultura machista, cê sabe... tá cheio de porco-chauvinista Por isso que esse papo não é só pras menininhas É pra todos esses caras que dão força, que dão linha No concurso, na promessa de futuro No programa de tv e no rádio toda hora pra você

A-ahá! Arrebita a rabeta! A-ahá! E me diz, meu bem, o que mais que você tem? A-ahá! Arrebita bem a bunda, vagabunda, que a bunda é tudo de bom que você tem

O que que você tem de bom além do bumbum? Um talento, algum dom? Ou as suas qualidades estão limitadas ao balanço dessa bunda arrebitada? O que que você tem além da bunda? Pense bem que a pergunta é profunda Não, não é isso menina! Eu não tô falando da sua virilha Que deve ser uma maravilha Mas seu cérebro é menor do que um caroço de ervilha Ô minha filha, acorda pra vida! A sua bunda tá em cima, mas sua moral tá caída A dignidade tá em baixa Você só rebola, só rebola, rebola e se rebaixa E se encaixa no velho perfil: Mulher objeto em pleno ano dois mil E um, e dois, e três Sempre tem alguém pra ser a bunda da vez Te chamam de celebridade e você acredita Enche o rabo de vaidade e arrebita

Você tira até retrato três por quatro de costas Pensa com a bunda e quando abre a boca só sai bos... Talvez você nem seja tão piranha Mas qualquer concurso miss bumbum que tem você se assanha A-ahá! E tira foto fazendo pose de garupa de moto A-ahá! Vai sair na revista e o povo vai dizer que você é artista Porque agora bunda, é cultura, é esporte É até filosofia, quase uma religião E se você tiver sorte pode ser seu passaporte para a fama Ou pra cama, pode ser seu ganha-pão Bunda conhecida, bunda milionária Bonitinha mas ordinária Que nem otária na tv, de perna aberta Queima o filme das mulheres e se acha muito esperta Vai, vai lá, vai entrar na dança, vai usar a poupança Vai ficar orgulhosa sem saber o mau exemplo que tá dando pras crianças Adolescentes, adultas e adultos retardados Que idolatram um simples rebolado (Bando de bundão!!) aplaudindo a atração (Não pelas idéias mas pelo burrão)

(Ordem e progresso, sua bunda é um sucesso... Ai, nádegas a declarar Lombo ambulante, burrão ignorante!) Sua bunda é alucinante A rabeta arrebenta mas beleza não é tudo Além da forma tem que ter conteúdo Senão você se torna descartável Que nem uma boneca inflável Então encare a realidade com o seu olho da frente E veja a vida de uma forma diferente Porque uma mulher decente Pode ser muito mais atraente que uma bunda sorridente Então, garota sangue bom Se liga na missão, se liga nesse toque Ser ou não ser, eis a questão A vida é bem mais que um número no Ibope Deixe a sua mente bem ligada ou vai ficar injuriada Reclamando que não é valorizada Pára pra pensar, bota a bunda no lugar E a cabeça pra funcionar

Solta essa bundinha, solta o verso Solta a rima minha filha, solta o verbo na cara do Brasil Que atrás de você virão mais de mil Eu também não sou chegado em celulite Mas eu vou te dar um palpite, exercite a tua mente E não se irrite se eu tô sendo muito franco Mas atualmente ela só pega no tranco Amanhã você vai olhar pra trás E vai ver que o seu colã já não entra mais Vai querer fazer uma lipo, vai querer meter "silico" E vai continuar pagando mico

Ordem e progresso, sua bunda é um sucesso Nádegas a declarar, nádegas a declarar...

5. Cachorrada

Sou um vira-lata e tô afim daquela gata de responsa Que parece uma onça Ela é de raça, não é nenhuma gata vadia E quando ela passa, o meu pêlo se arrepia Ela mia, miau, e eu passo mal Eu não sou gato, eu só lato, au, au Algum tagarela me falou que ela é donzela Que é melhor eu desistir e procurar uma cadela Eu disse: é ruim, animal, de cachorra eu tô legal A última que eu tive me trocou por um chow-chow, é tudo igual Jeitinho de santa, cara-de-pau, e quando ficam no cio fazem até bacanal

Tô afim de uma gata, mas só tem cachorra Tô afim de uma gata, mas só tem cachorra Tô afim de uma gata, mas só tem cachorra Tô afim de de uma gata mas só acho canina Vou soltar os cachorros em cima

Eu já rezei pra São Bernardo pra conquistar esse amor E até procurei um pastor Mas eu não entendi a oração que o pastor me passou Porque o pastor era pastor alemão E eu só sei latir em português! Estou me sentindo um pequinês! "Um conselho, deixa a gata pra lá Ou cê só vai arrumar sarna pra se coçar Ela é muita ração pra sua tigela Ela mora na mansão, você mora na favela Ela só come salmão, tu nem pão com mortadela Ela torce pro Palmeiras, tu é Timão Ela é Mangueira e tu Portela E tu é cão vira-lata, ela é gata, esquece! Eu te apresento pruma poodle mais bonita que a Lassie" Au, au, alto lá! Só porque você foi adestrado tá querendo me ensinar? Eu conheço a tua raça... Quer meter o focinho onde não foi chamado? Passa, passa, passa! Que eu não sou pitbull mas tô ficando nervoso Avisa pra gata que ela vai ter um esposo Que é um vira-lata teimoso Eu não sou nenhum dálmata mas também sou pintoso

"E aí vira-lata?" Fala, fila! "Não se finge de morto, não, não vacila Aí... aquele gato ali... tás afim da tua gata E falou que faz na pata com você Quero ver, vai lá, mete o canino na orelha do felino Dá-lhe uma dentada feito Tyson atacando o Hollyfield Pega esse Garfield na porrada, aí... Qualé a da parada, aí? Não vai fazer nada, aí?" Calma aí, sem briga Eu quebro esse mané só na idéia, se liga: Escuta aqui seu projeto de tamborim! Eu não tô falando grego nem latindo em latim Eu tô afim daquela gata e tô sabendo que tu quer levar uns tapa na lata Mas não vou perder meu tempo com moleque brigão Que não tem nada na cabeça e tira onda de machão Tá querendo se atracar comigo? Não rola! Vai atrás do piu-piu, frajola!

Tá cheio de rotweiller cercando a casa dela Mas eu tô entrando pela janela Pareço até um gato mas não mio nem arranho... Aúúú! Ela tá tomando banho! Oi minha deusa felina Gostei desse banho de língua, cê me ensina? "Que isso!? Cachorro! Me solta!" Calma gatinha, vâmo dá uma volta... Fica tranquila que eu não vou te morder Encolhe as tuas unhas que eu te levo pra ver Um filmaço que eu assisto todo dia: O frango que roda, lá na padaria Vâmo! Foge da mansão E vem conhecer a minha vida de cão, que tem mais emoção

Bora gatinha, cola na minha Pega!! Ih babou! A carrocinha! Au, au, algemaram meu pescoço Onde já se viu? Me trancaram num canil! Se eu tivesse pedigree eu duvido que eu tivesse aqui Pagando por um crime que eu não cometi Eu não sou lobo e a gata não é ovelha Mas eu também não sou bobo e tô com a pulga atrás da orelha Com esse cão policial que fica rindo de mim Tá bancando o Rin-tim-tim mas parece o Rabugento Me tira daqui! Eu não tenho sete vidas Preciso aproveitar o meu tempo

Agora eu tô na boa A gata me tirou do canil e pediu pra ser minah patroa Eu nunca fui de baderna Mas também não saio com o rabo entre as pernas Bicho solto! O meu dono é a liberdade Osso duro de roer é pra roer com vontade É o bicho! Quem se empenha chega lá A gatinha tá prenha vâmo ver que bicho dá..

6. Matador

Ele não gosta de café sem açúcar nem comida sem sal E por isso a sua esposa se deu mal Vacilou no fogão não tem perdão Acabou estrangulada e pendurada no varal Ele não gosta de homem nem de homossexual Só do Padre Marcelo porque o padre é legal Esse cara é matador mas acredita no Senhor Jesus E tá sempre com uma cruz pendurada no cordão Na cinta uma pistola, um três-oitão e bastante munição A descrição? Bem, nem alto nem baixo, nem fraco nem forte E feio feito a morte O seu rosto quem conhece não esquece Mas quem vê diz que não viu e que se ver não reconhece O seu nome ninguém sabe dizer Só a mãe que sabia, mas depois de nascer Ele enforcou a coitadinha com o cordão umbilical Tudo isso no quintal, que não tinha hospital Apagou os vizinhos e cresceu ali sozinho Desde menino com um instinto assassino

(Mata!) Ele mata pela frente (Mata!) Ele mata por trás (Mata!) Ele mata muita gente (Mata!) Ele mata mas faz

Cresceu e quis entrar pra polícia É lógico que foi aprovado no teste psicológico Mas na prova de tiro foi reprovado Porque deu pipoco pra tudo que é lado e derrubou um bocado Frustrado, foi parar numa fazenda Jagunço de responsa, matador por encomenda Mas um dia ele cansou de ser peão Decepou o patrão com um facão e descobriu uma profissão que dá dinheiro: Pistoleiro de aluguel Você paga e dá o nome, que ele manda pro céu Não importa o motivo, adultério ou vingança Guerra de família, discussão na vizinhança O seu objetivo ele alcança Vivo é tudo igual, o que muda é a cobrança Sem terra é por tempo de matança Criança abandonada é por quilo, pesada na balança Operário é um salário E pra matar o pai e mãe é dez por cento da herança Juiz ou delegado, prefeito ou deputado... Todos tem seu preço, que o serviço é tabelado

Ele nunca lê jornal, porque não sabe ler Mas em troca de um presunto recebeu uma tv Começou a ver notícia e descobriu que profissão que dá dinheiro, Muito mais que pistoleiro, é a política: Ganhar grana de verdade, na maior tranquilidade Porque tem a imunidade no país da impunidade "E é por isso que os político tá sempre contratando os meus serviço Pra matar uma pá de gente... Mas agora eu também quero ficar rico Vou me candidatar e tem que ser pra presidente! Deputado, nem pensar, porque um suplente vai mandar algum colega me matar!" Chegou a eleição e as pesquisas apontavam um fracasso Mas ele ganhou fácil Matou os candidatos oponentes um por um E foi eleito presidente sem problema nenhum Na posse ele escondeu o seu revólver sob o terno E prometeu que o seu governo era muito "muderno" Mas depois de pouco tempo começaram os decretos E medidas provisórias, provocando desafetos Aumentaram os impostos e também a oposição Mas ele não gosta de reclamação Só de raiva resolver exterminar os aposentados E dizer que o desemprego era pro bem da nação

(Um pistoleiro incomoda muita gente! O presidente incomoda muita mais! Um pistoleiro assassina muita gente! O presidente assassina muito mais!) E o povo vai morrendo cada vez mais Atingido por emenda anticonstitucionais Quando tem corrupção com telefone grampeado e o cacete Ele varre pra debaixo do tapete Todo tá pagando e o país só tá devendo Presidente tá matando Mas ninguém tá reclamando porque o bicho tá pegando E o coro tá comendo Presidente tá chegando Todo sai correndo porque o presidente é mau, pega um, pega geral! Presidente é mau, pega um, pega geral! Presidente é mau, pega um, pega geral! (Empresário!) (Classe média!) (Zona urbana e rural!) E o povo reunido, muita gente assistindo a cerimônia Da privatização da amazônia Aplaudindo o presidente matador, com medo de vaiar Debaixo de um calor de rachar Ele pára seu discurso pra tirar o terno quente Fica sem camisa e escuta de repente: (Ih! Alá! O presidente esqueceu o três-oitão!) Ele encara a multidão... Põe a mão na cintura e não encontra a pistola (Ele tá desarmado!) (Pega!) (Esfola!) Ele chora, se apavora e implora piedade Mas agora tá na hora da verdade O povo brasileiro resolveu se vingar Cercou o pistoleiro e começou a gritar: (Mata!) Ele mata pela frente (Mata!) Ele mata pro trás (Mata!) Ele mata muita gente (Mata!) ... Hoje eu tô feliz, matei o presidente.

7. Amigo Urso/ Resposta do Amigo Urso

Amigo Urso, saudação polar Ao leres esta, hás de te lembrar Daquela grana que eu te emprestei Quando estavas mal de vida e nunca te cobrei Hoje estás bem e eu me encontro em apuros Espero receber e pode ser sem juros Este é o motivo pelo qual te escrevi Agora quero que saibas como me lembrei de ti Conjeturando sobre a minha sorte Transportei-me em pensamento até o Pólo-Norte E lá chegando sobre aquelas regiões Vai vendo só quais as minhas condições Morto de fome, de frio e sem abrigo Sem encontrar em meu caminho um só amigo Eis que de repente vi surgir na minha frente Um grande urso e apavorado me senti E ao vê-lo caminhando sobre o gelo Porque não dizê-lo? Foi que me lembrei de ti Espero que mandes pelo portador O que não é nenhum favor Tô te cobrando o que é meu Sem mais queira aceitar um forte abraço Deste que muito te favoreceu O meu garoto já cresceu Dá cá o meu Dá cá o meu Que o meu garoto já cresceu Manda mais cem Que tu não negas pra ninguém

Amigo velho, aí vai tua resposta Quem é pobre nesse mundo Sempre come do que gosta e o que não gosta Eis porque fiquei furioso Recebendo do amigo um tratamento desdenhoso Mas a minha raiva logo se reprimiu Eu não posso querer mal a quem tanto, tanto me serviu Tua cartinha causou-me admiração És perfeito na cobrança, como o gringo Salomão (Que vende roupa a prestação) Há muito eu andava persuadido Que tu eras um sabido com carinha de otário Mas hoje tua cartinha relendo Foi que fiquei sabendo que és expedicionário Fostes ao pólo sem gostar do teu algum Enquanto eu fiquei sem nenhum aqui na velha dura sorte Manda mais cem, eu sei que tu não negas E receba do colega outro abraço forte Minha continha eu pagarei no Pólo-Norte

8. -Não Dá Pra Ser Feliz (Guerreiro Menino)

Entregue à própria sorte, nessa selva Onde a lei é a do mais forte Indefeso, carregando todo o peso O homem não consegue suportar Não sabe como lidar com a vida que a vida lhe dá Está de mãos e pés atados, incapacitado de fazer o que é capaz Jaz morto-vivo no mundo Reduzido a vagabundo Sem poder sorrir, sem poder sonhar, sem poder... Sempre no mesmo lugar Sem trabalho, sem sustento, sem moral Rendido, ao relento, feito um animal "Eu vejo que ele berra, eu vejo que ele sangra A dor que tem no peito, pois ama, e ama... Não dá pra ser feliz, não dá pra ser feliz..." O destino testa a sua paciência Instigando o seu instinto de sobrevivência Vergonha, estresse, medo Engolindo seco, respirando azedo O bicho-homem atrás de migalha O homem-máquina precisando de batalha Desativado, vivendo de favor Lutador que não pode jogar a toalha Tentando manter sua dignidade À procura de uma oportunidade Na guerra contar o tempo tá ficando tarde Inocente cumpre pena num sistema covarde "Guerreiros são pessoas tão fortes, tão frágeis Guerreiros são meninos no fundo do peito... Não dá pra ser feliz, não dá pra ser feliz..." O homem, bicho, domesticado Se vê desesperado se vê sua ração no mercado Mas não pode pagar E vê sua razão sem saber o que falar E a necessidade lhe dizendo pra comer Custe o que custar: matar, morrer... "O homem também chora..." O homem não é fera Foi jogado fora Foi violentado em seu direito de viver Vive sem vontade, morre sem saber Perde o equilíbrio, cai, se destrói E o mundo se distrai O mundo se desfaz com tanta disputa E faz que não escuta A sua voz que diz: "O que será que eu fiz? Só tenho cicatriz Não dá pra ser feliz O homem se humilha se castram seus sonhos Seu sonho é sua vida e vida é trabalho E sem o seu trabalho o homem não tem honra E sem a sua honra, se morre, se mata Não dá pra ser feliz, não dá pra ser feliz..."

9. Brazuca (remix)

(Futebol não se aprende na escola) No país do futebol, o sol nasce para todos Mas só brilha para poucos E brilhou pela janela do barraco Da favela onde mora esse garoto chamado Brazuca Que não tinha nem comida na panela Mas fazia embaixada na canela e deixava a galera maluca Era novo e já diziam que era um novo Pelé Que fazia o que queria com uma bola no pé Que cobrava falta bem melhor que o Zico e o Maradona E que driblava bem melhor que o Mané, pois é E o Brazuca cresceu, despertando o interesse em empresários E a inveja nos otários Inclusive em seu irmão que tem um pôster do Romário no armário Mas que joga mal pra c... O nome dele é Zé Batalha e, desde pequeno, ele trabalha Pra ganhar uma migalha que alimenta sua mãe e seu irmão mais novo Nenhum dos dois estudou porque não existe educação pro povo No país do futebol (futebol não se aprende na escola) É por isso que Brazuca é bom de bola

Brazuca é bom de bola Brazuca deita e rola Zé Batalha só trabalha Zé Batalha só se esfola Brazuca é bom de bola Brazuca deita e rola Zé Batalha só trabalha Zé Batalha só se esfola Chega de levar porrada A canela tá inchada e o juíz não vê Chega dessa marmelada A camisa tá suada de tanto correr Chega de bola quadrada Essa regra tá errada, vâmo refazer Chega de levar porrada A galera tá cansada de perder

No país do futebol quase tudo vai mal Mas Brazuca é bom de bola, já virou profissional Campeão estadual, campeão brasileiro Foi jogar na seleção, conheceu o mundo inteiro E o mundo inteiro conheceu Brazuca com a 10 Comandando na meiuca como quem joga sinuca com os pés Com calma, com classe, sem errar um passe O que fez que seu passe também se valorizasse E hoje ele é o craque mais bem pago da Europa Capitão da seleção, tá lá na Copa Enquanto o seu irmão Zé Batalha E todo o seu povão - a gentalha Da favela de onde veio - só trabalha Suando a camisa, jogado pra escanteio Tentando construir uma jogada mais bonita Do que a grana que carrega na marmita Contundido de tanto apanhar, Confundido com bandido Impedido, pode parar Sem reclamar pra não levar cartão vermelho Zé Batalha sob a mira da metralha, de joelho Tentando se explicar com um revólver na nuca Eu sou trabalhador, sou irmão do Brazuca Ele reza, prende a respiração E lá na Copa penâlti a favor da seleção Bola no lugar, Brazuca vai bater Dedo no gatilho, Zé Batalha vai morrer Juiz apitou, tudo como tinha que ser Tá lá mais um gol, e o Brasil é campeão Tá lá mais um corpo estendido no chão

O país ficou feliz depois daquele gol Todo mundo satisfeito, todo mundo se abraçou Muita gente até chorou, uma comemoração Com orgulho de viver neste país campeão E na favela no dia seguinte, ninquém trabalha É o dia de enterrar o que sobrou do Zé Batalha Mas não tem ninguém pra carregar o corpo Nem pra fazer uma oração pelo morto Tá todo mundo com a bandeira na mão Esperando a seleção no aeroporto É campeão! Da hipocrisia, da violência, da humilhação É campeão! Da ignorância, do desespero, da desnutrição É campeão! Da covardia, da miséria, da corrupção É campeão! Do abandono, da fome, da prostituição

Chega de levar porrada!

10. Porca Miséria

Eu não como porco, eu como farelo! Eu não como porco, eu como farelo! Eu não como porco, eu como farelo! Os porcos me comeram de verde e amarelo! Sujaram meu chiqueiro! Fizeram porcaria! Limparam meu dinheiro e a barriga tá vazia!

A linguiça tá vazia, eu tirei a carne Eu não como porco, tia I don't eat swine A barriga tá vazia e eu tô no rango Vô encher essa linguiça com carne de frango Eu peguei uma panela pra fazer uma canja Mas o frango olhou pra ela e fugiu da granja Tem o frango congelado no supermercado Mas o meu cartão de crédito tá bloqueado Yo tengo hambre, as hungry as an elefant Se eu tivesse money, hombre, comeria um restaurant Se eu tivesse no natal até comia peru Se eu tivesse no Japão comia peixe cru Só que lá no japonês eu não tenho vez Eu não sei comer com dois pauzinhos nem com três A minha vara de pescar tá quebrada E o meu peixe... até agora "nada" Eu já quebrei a vara e também quebrei a banca O peixe custa os olhos da cara e eu só como carne branca A carne moída dá água na boca Mas é que eu tenho medo de pegar uma "vaca louca" O povo come ovo e o meu ovo ia pro prato Mas eu peguei o ovo e acertei no candidato Porque eu já enchi o saco dessa porcaria: Encheção de linguiça e a barriga vazia

Porcos, querem que eu mantenha a esperança Mas como é que eu faço pra encher a minha pança? Diz como é que eu posso acreditar numa mudança? Se nossas barrigas só se enchem com crianças Ou então com gazes, ou então lombriga E as nossas bocas só se enchem de formigas Quando agente fala muito e de repente some Ou quando alguém mata um homem pra matar a fome Saco vazio não pára em pé Tá me dando calafrio mas eu tenho fé Que eu vou conseguir alguma forma de alimento Nem que seja um pão com água ou pastel de vento Tem farofa no despacho da esquina Tem cachaça mas eu quero vitamina! Vitamina de banana, caldo de feijão Olha, gente fina, eu tô comendo até ração! Enquanto os porcos tão comendo a nação Tão comendo com os olhos toda a minha refeição

Se correr... o bicho pega, se ficar o bicho come Então eu vou andar pra ver se mato a minha fome Rapadura lá no Ceará eu sei que tem Tacacá em Macapá, açaí em Belém Amazonas tem as frutas lá da Zona Franca de Manaus E no Rio tem "filé miau" Quero virado à paulsita, tutu à mineira Picanha gaúcha e piranha pantaneira Moqueca capichaba, rapá Goiás, pequi, Bahia, vatapá Piauí, Paraíba, Paraná... Pimenta malagueta pro planeta balançar! Tô na boa em Boa Vista, Acre doce, tô que Tocantis! Natal, Porto Velho, tô que tô afim de acarajé, Aracaju, jacaré, pirarucu Ou pode ser um camarão do Maranhão ou um filé de tubarão lá de Pernambuco Alagoas! Ah, eu tô maluco! Com um lombinho que eu conheci em Santa Catarina Mas não é de porco que eu não como suína.

11. Astronauta

Astronauta tá sentindo falta da Terra? Que falta que essa Terra te faz? A gente aqui embaixo continua em guerra Olhando aí pra lua implorando por paz Então me diz: por que que você quer voltar? Você não tá feliz onde você está? Observando tudo a distância Vendo como a Terra é pequenininha Como é grande a nossa ignorância E como a nossa vida é mesquinha A gente aqui no bagaço, morrendo de cansaço De tanto lutar por algum espaço E você, com todo esse espaço na mão Querendo voltar aqui pro chão? Ah não, meu irmão... qual é a tua? Que bicho te mordeu aí na lua

Eu vou pro mundo da lua Que é feito um motel Aonde os deuses e deusas Se abraçam e beijam no céu

Ah não, meu irmão... qual é a tua? Que bicho te mordeu aí na lua? Fica por aí que é o melhor que cê faz A vida por aqui tá difícil demais Aqui no mundo, o negócio tá feio Tá todo mundo feito cego em tiroteio Olhando pro alto, procurando a salvação Ou pelo menos uma orientação Você já tá perto de Deus, astronauta Então, me promete Que pergunta pra ele as respostas De todas as perguntas e me manda pela internet

É tanto progresso que eu pareço criança Essa vida de internauta me cansa Astronauta, cê volta e me deixa dar uma volta na nave Passa a chave que eu tô de mudança Seja bem-vindo, faça o favor E toma conta do meu computador Porque eu tô de mala pronto, tô de partida E a passagem é só de ida Tô preparando pra decolagem Vou seguir viagem, vou me desconectar Porque eu já tô de saco cheio E não quero receber nenhum e-mail com notícia dessa merda de lugar

Eu vou pra longe, onde não exista gravidade Pra me livrar do peso da responsabilidade De viver nesse planeta doente E ter que achar a cura da cabeça e do coração da gente Chega de loucura, chega de tortura Talvez aí no espaço eu ache alguma criatura inteligente Aqui tem muita gente mas eu só encontro solidão Ódio, mentira, ambição Estrela por aí é o que não falta, astronauta A Terra é um planeta em extinção

Nádegas a Declarar - 1999 01. Cantão 02. Tô Vazando 03. Xaxado Chiado 04. Nádegas a Declarar Participação especial: FERNANDA ABREU 05. Cachorrada 06. Matador07. Amigo Urso - Resposta do Amigo Urso Participação especial: MOREIRA DA SILVA 08. Não Dá pra Ser Feliz Participação especial: DANIEL GONZAGA 09. Brazuca (remix) 10. Porca Miséria 11. Astronauta Participação especial: LULU SANTOS